23 de fev de 2010

Itaparica

"E que é que se vê nesta ilha, que no mundo não tem comparação? Nem uma vida, nem duas vidas, nem quatro vidas, nem dezoito vidas bastariam para se aprender tudo o que há na ilha. Sabe-se de gente que está nela faz mais de quarenta ou cinquenta encarnações e, a cada reencarnação, por mais bem vividas que tenham sido as anteriores, o encarnado pode até pensar que já compreende muita coisa, mas, quando fica velho, vê que não compreende quase nada, precisa voltar sabe-se lá quantas vezes - Deus não tem pressa nenhuma, para Ele tudo é ontem, hoje e amanhã, só quem vive dentro do tempo somos nós. Para ficar apenas num exemplo, quem compreende os mangues, todas as suas mutucas, todas as suas locas, todos os seus siris, sururus, caranguejos e aratus? Ninguém, por mais escolado. E assim tudo mais, das pedras enterradas aos bichos voadores, o que se conta sempre podendo ser verdade ou mentira, nada se logrando provar com prova provada mesmo."
Ribeiro, João Ubaldo. Miséria e grandeza do amor de Benedita. p.13

Senti o ar da ilha, bebi água na fonte da bica e acreditem ...
rejuveneci uma vida!

"-Juvenal, meu maioral! (...)
-Deoclécio, meu grande sécio! (...)
-E continuas rei da ladroagem?
-Tanto quantos és rei da sacanagem.
-Que novidade me traz lá de Jaguaripe?
-Tem tanta puta quanto tem Maragogipe.
-Um dia destes trazes uma de lembrança?
-Só se for juntos que fizermos a chibança."

João Ubaldo Ribeiro

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