28 de set de 2012

Sobre sabores e dissabores

Aproveito para postar aqui, enquanto há algum tempo e enquanto eu tiver forças; não tardará muito que minhas forças se vão e fique só um espectro de vontade e o tempo se dilua sem que eu perceba e fique só um rastro de memória. Após decidir viver minha vida no melhor dos mundos possíveis, para atenuar sofrimentos d'alma e as arestas da falta de calma, volto-me para um cotidiano necessário que é imprenscindível para viver: a saber, a comida.
A partir deste mês, setembro de 2012, uma vez por mês passearemos por restaurantes, lancherias, bares, balcões, botecos e o que mais aprouver, da mais alta gastronomia da cidade à mais popular, a fim de simplesmente comer, porque, como já citei, comer é também necessário para viver.
Viveremos no melhor dos mundos, andaremos nos mais variados lugares, saborearemos os mais diversos cardápios, sentiremos os mais profundos odores, saborearemos os mais diversos condimentos, admiraremos sempre a beleza das refeições e comer,...comer terá outros significados. A ideia de comer fora, será a desculpa para nos reunirmos, nos congregarmos, nos irmanarmos, nos agregarmos e compartilharmos experiências e vivências significativas para nós. Será um encontro de estômagos e de almas sedentas por algo mais, seja a comida para nutrir o corpo, ou a conversa para nutrir o espírito.
Com uma escrita nem tão rigorosa, nem tampouco casual, procurarei assentar aqui, minhas impressões "gastrocômicas".
Foi no dia 28 de setembro de 2012. O dia estava claro e um sol irradiava por toda cidade. Estavam eu, mais Angela, Lucênia e Luciana Ledur. O local escolhido foi o Shopping Santa Cruz.
Foi uma refeição colorida, leve e saborosa. Enquanto a Angela e a Lucênia preferiram apreciar os Sabores, eu e a Luciana, por estarmos famintas, optamos pelo Guloso.

26 de set de 2012

Carta à uma amiga



Minha cara amiga.
Não se admire se algumas palavras se repetirem nesta carta, tal é a confusão do meu espírito. Quero que sejas a primeira a saber da novidade:  estou cursando Filosofia na Unisc. Entrei no curso de Filosofia meio que fortuitamente. Em maio do corrente ano, recebi, por e-mail, informações sobre o Plano Nacional de Formação dos Professores da Educação Básica – PARFOR. Fiquei deveras eufórica e, tomada de êxtase, corri ao Departamento, fiz ligações para a PROGRAD, falei com a 6ªCRE, a fim de obter maiores esclarecimentos sobre o curso. Frustrada, recebi a informação de que se tratava de um curso presencial e de Graduação. No ímpeto em buscar maiores conhecimentos e subsídios para enriquecer as aulas de Filosofia, julguei ter lido “Curso de atualização” e não “Curso de Graduação”. É de seu conhecimento que tenho uma super carga horária (12 horas diárias) e as aulas presenciais inviabilizariam minha participação. Por fim, acabei me inscrevendo no curso devido ao baixo número de inscritos, inicialmente. Havia combinado com a coordenação do curso que, tão logo ele fosse aprovado pela CAPES/MEC, cancelaria minha inscrição. Entretanto, após ler meu nome na lista dos selecionados e ter feito a matrícula, não ousei cancelar minha inscrição. Estou fazendo agora a 2ª disciplina e disposta, minha querida amiga, a ir até o fim do curso. Claro que estou contando com a colaboração dos professores no que diz respeito a faltas, pois não poderei participar das aulas nas sextas-feiras, e participarei todos os finais de semana em que não estiver escalada na Biblioteca da Unisc, na qual trabalho como Bibliotecária de Periódicos. Você me conhece de longa data e sabe da minha predileção pelo conhecimento em geral e pela Filosofia em particular. Lembra de como gostava de participar dos eventos da Filosofia, sempre que possível? Lembra que falava com você em como adorava a professora Suzana Albornoz? Você lembra também do curso de “Filosofia e Felicidade” de que participei? Eu metida no meio de filósofos, professores e alunos? Lembra que quando me visitava eu socializava com você minhas impressões? Pois é, a vida dá voltas, não é mesmo? E agora, cá estou, realizando este curso que espero me ajude a desbravar os caminhos obscuros e misteriosos da vida. Veja, alguns fatores que endossaram minha decisão:
- trabalho com a disciplina de Filosofia em sala de aula e não tenho a formação necessária, como você sabe, sou Licenciada em História pela UFPel e Bacharel em Biblioteconomia pela FURG;
- o curso é totalmente gratuito;
- tenho disposição para aprender, apesar da pouca disponibilidade de tempo;
- meu dever enquanto educadora é procurar estar melhor preparada para ousar ensinar, vencendo inicialmente minha própria ignorância.
Meu espírito esperou pacientemente por este momento, vigiando sobre meu corpo, que, cada vez mais enrijecido, começa a movimentar-se agora com as vibrações dos filósofos e a amizade que tenho pelo saber. Gerbi destaca que, para Hegel (apud Mozart Linhares da Silva), “Os animais dormem por instinto; os selvagens repousam à noite; apenas o Espírito faz da noite dia”.
Espero que, ao final, as faltas nas noites de sextas-feiras sejam compensadas com a dedicação dos outros dias, que o espírito reine sobre a carne e que Ariel vença Caliban.
Um abraço, minha amiga. Crer na Filosofia e na arte de duvidar e fazer perguntas é uma das melhores coisas da vida. Creiamos, pois.
Jorcenita Alves

Revisão S. R. Tornquist

21 de set de 2012

Há 13 anos

Faz 13 anos que aqui estou,
cidade de Santa Cruz.
Para Pelotas eventualmente vou,
mas retorno agora sem velas, nem cruz.

Fiz História,
mas vim pela Biblioteconomia.
Faço Filosofia,
mas ficarei entre livros.

Minha sina é estar em Bibliotecas,
seja em Pelotas, na Pública Pelotense,
ou na de caráter público Santa-cruzense.

A Unisc tem sido meu segundo lar,
Uma Universidade boa para estudar
e boa para trabalhar.

17 de set de 2012

Frases de Pepetela

Enquanto lia, anotava o que segue:

"A cabeça cresce com as verdades que nela entram." Pepetela

"Faltando a coragem de nos mirarmos
Medo de nos derretermos.
Assim é o amor." Pepetela, p.51.

"Alguém sabe mesmo o que amor é?
Pobre é o amor
Que pode ser contado" William Shakespeare

"Todos se sentiam úteis,
sem noção de serem quase inúteis.
Gente feliz, portanto." Pepetela, p.73.

"É na capacidade de perder
e mesmo assim lutar
que está a grandeza." Pepetela, p.94.

"Nunca se sabe responder
à questão da definitude,
eis o Homem." Pepetela, p.106.

"A onça deixada pra trás no nosso trajeto de humanização nunca se dilui completamente dentro de nós, por muitos livros lidos, viagens feitas ou debates intelectuais participados. Existe sempre uma unha ou dente de onça que se manifesta quando a ocasião é propícia. Somos considerados civilizados se somos capazes de o esconder sempre do conhecimento dos outros. Mas exsite todavia um pedaço selvagem permanecendo de atalaia. E ao menor pretexto damos o bote. Somos de uma humanidade animal." Pepetela, p.121.

"De fato nunca se matam realmente saudades, é apenas uma forma de dizer." Pepetela, p.144.

12 de set de 2012

Dormindo com filósofos

Hoje, aproveitarei que meu marido foi viajar e dormirei com filósofos.
Venha, Arquíloco!
Entrai pelas minhas portas, Teógnis!
Seja bem-vindo, Píndaro!

Venham todos ao meu humilde lar, pois quero ouvi-los, secretamente.
***
O silêncio deles é alarmante,
(as imagens, estarrecedoras,
um cheiro de ácido oleico)
uma poeira entra por minhas narinas.
Não consigo parar de tossir.
O pó fica impregnado no ambiente,
as palavras saltam num silêncio cortante:

"E não te esqueças, meu coração,
que as coisas humanas apenas
mudanças incertas são." Arquíloco

"Choremos a juventude e a velhice também,
pois a primeira foge e a segunda sempre vem." Teógnis

"A glória dos mortais num só dia cresce,
Mas basta um só dia, contrário e funesto,
para que o destino, impiedoso, num gesto
a lance por terra e ela, súbito, fenece." Píndaro
***
Não ficaram comigo muito tempo, pois furtivamente,
sem a menor cerimônia, mesmo não acessando mais
regularmente o Orkut, escapei num átimo para o Facebook.
***
Ficaram chocados, estavam indo embora,
cabisbaixos, em linha reta andando,
quando ouviram um poeta brasileiro
andando em círculos e lamentando...

"Como a vida muda.
Como a vida é muda.
Como a vida é nula.
Como a vida é nada.
Como a vida é tudo.
Tudo que se perde
mesmo sem ter ganho
.
Como a vida é senha
de outra vida nova
que envelhece antes
de romper o novo.
Como a vida é outra
sempre outra, outra
não a que é vivida.
Como a vida é vida
ainda quando morte
esculpida em vida.

Como a vida é forte
em suas algemas
Como dói a vida
quando tira a veste
de prata celeste.
Como a vida é isto
misturado àquilo.
Como a vida é bela
sendo uma pantera
de garra quebrada.
Como a vida é louca
estúpida, mouca
e no entanto chama
a torrar-se em chama.
Como a vida chora
de saber que é vida
e nunca nunca nunca
leva a sério o homem,
esse lobisomem.
Como a vida ri
a cada manhã
de seu próprio absurdo
e a cada momento
dá de novo a todos
uma prenda estranha.

Como a vida joga
de paz e de guerra
povoando a terra
de leis e fantasmas.
Como a vida toca
seu gasto realejo
fazendo da valsa
um puro Vivaldi.

Como a vida vale
mais que a própria vida
sempre renascida
em flor e formiga
em seixo rolado
peito desolado
coração amante.
E como se salva
a uma só palavra
escrita no sangue
desde o nascimento:
amor, vidamor!"

Carlos Drummond 

No final, tudo se tranformará em pó, eles e eu.
só as palavras cortarão o silêncio cortante.

11 de set de 2012

AME

GgRitEe verdades com Gragântua
Descarte velhas ideias com Descartes
Conte causos ou Contos gauchescos, ou
Lendas do sul.
Mas AME, principalmente
ame
com
Amado

9 de set de 2012

O liberdade

Retornando a Pelotas, vou procurar "O Liberdade",
E o dono do local, com toda a simplicidade,
lembra do meu avô e dos tempos da mocidade.


Fala do meu tio Nelson,
pois é seu afilhado, desde quando pequeno.

***

Já posso cantar "Boemia",
pois regressarei de onde já fui,
e voltarei ao reduto do choro
e ao restaurante popular,
quando à cidade, eu voltar.


Em Pelotas, há quase 40 anos, se apresenta o grupo de choro Avendano Jr. e o Regional.
De noite, reduto do choro. De dia, restaurante popular.

4 de set de 2012

... ou "Olhar"

Rios descem no meu ser
sinto-me inundada
rios que não molham
águas que não escorregam
rio que fica PuLsando
no r-i-t-m-o do coração
à espera de uma fricção.