28 de dez de 2012

Prova de Fogo

Hoje termino a leitura do livro "As consolações da filosofia", de Alain de Boton.
Hoje tive uma visão preconceituosa de Schopenhauer.
Hoje conversei com o ET de Varginha. 
Hoje tem formatura do 3º ano/noite da Escola Rosário.
Hoje revi processos, relatórios, e-mails e decidi emagrecer.
Hoje lembrei da seguinte frase, que garimpei, copiei e colei:

"Nosso medo mais profundo não é o de não sermos bons o suficiente.
Nosso medo mais profundo é o de sermos poderosos além das medidas.
Por isso nos perguntamos quem somos para nos considerar brilhantes, maravilhosos, talentosos e fabulosos.
Na verdade quem não somos.
Estamos todos aqui para irradiar como fazem as crianças. E a medida em que deixamos a nossa luz brilhar inconscientemente damos aos outros permissão para que brilhem também." Citação do filme Prova de Fogo, originalmente atribuída a Nelson Mandela.

27 de dez de 2012

do Boletim SAB Informativo 34

Periódicos online - Biblioteconomia, Ciência da Informação, Arquivologia

14 de dez de 2012

Sou a que procura lacunas

Não perguntei de onde vinhas ou para onde irias,
Se tinhas muitas coisas, ou nada podias ter,
Só ousei um dia estar e entrar nas lacunas do teu ser.

13 de out de 2012

Feriado

Feriado, folhei, folhas, fervorosamente.
Fiz fotos fenomenais.
Feito feitiço, fiquei fechada, fundindo-me.
Fecho Face&book.
Felizmente, faço final feliz.


Li:
AMÂNCIO, Edson. Diário de um médico louco. Taubaté: LetraSelvagem, 2012. 151 p.
MACEDO, José Rivair; MAESTRI, Mário. Belo Monte: uma história da guerra de Canudos. 2. ed. São Paulo: Expressão Popular, 2011. 196 p.
DE ASSIS, Machado. Correspondência. Porto Alegre: Pradense, 2011.
OKSALA, Johanna. Como ler Foucault. Rio de Janeiro: Zahar, 2011. 141 p.


Assisti:

Koyaanisqatsi
Biblioteca Mindlin
Instintos

Postei um vídeo no Youtube:
Petry, Cassionei Niches. Arranhões e outras feridas. Rio de Janeiro: MultiFoco, 2012.
Rebi um e-mail - The YouTube Team : Congratulations, Jorcenita Alves! With your first video now uploaded, you're ready to go even deeper into the YouTube experience. Here are some tips to help get you started.

Meu desempenho é melhor quando não estou sendo filmada, mas, fica registrado aí meu primeiro vídeo.

"Um modo de contestar o poder normalizador é moldar criativamente a si mesmo e à própria vida: explorando oportunidades de novas maneiras de ser, novos campos de experiência, prazeres, relações, modos de viver e pensar." Oksala, Johanna.
1 moDo de Vida sinGular, a vIda cOmo uMa oBra dE aRte.

9 de out de 2012

Diário de um médico louco

Estou lendo "Diário de um médico louco", de Edson Amâncio.
Excelente livro, escrita vigorosa, leitura envolvente, história cativante, suspense constante.

"É preciso arranjar um sentido para a vida. A vida não tem nenhum sentido. A cada um o seu quinhão! Começo o dia com essa proposição filosófica; não sem razão. Outro dia alguém me disse: "Chorar e sofrer ainda é viver".
Desconfio disso. Pareceu-me Dostoiévski, mas posso estar enganado. Não tenho como saber. Embora goste dos russos, tenho motivos de sobra para desconfiar deles. E muito! Gostar e desconfiar! Os dois sentimentos simultâneos. Como vocês verão, mais tarde. Na verdade tenho baixa tolerância para certa espécie de escritores: autores de autoajuda. Abusam do desespero dos outros. Os outros (somos nós) querem se agarrar em alguma coisa. Depois apregoam filosofia de botequim e me dizem: "Case! Tenha filhos, depois netos! Aí você vai ver o sentido da vida". A vida é isso mesmo. Não há solução para coisa alguma. Ninguém se desvencilha do abismo! Ninguém emerge de lá. É só um mergulhar. É só um afundar. Digo que a vida é isso e acabou. Eis aí minha filosofia." (Amâncio, Edson. Diário de um médico louco).

Na página 32, o médico propõe regras para terminar de escrever o diário e também ler os livros da estante na ordem em que estão colocados. Descrevo algumas:
-Esquecer obrigações impostas dentro de casa, como: comprar pão na padaria, atender ao telefone, etc.;
-Banhos semanais rápidos;
-Não fazer barba nem cabelo.

O autor faz referências a Thekhov, Mayakovsky, Bach, tem um encontro surreal com Gógol e Dostoiévski. E muito mais. Tem até diabo intelectual, que cita em latim (Terencio ou Nietzsche), e o demônio, apesar de tudo, não faz propostas indecorosas, do tipo 'vote em mim nas próximas eleições'.

"Afinal, o que é importante nisso tudo? A estratégida do crime, o resultado da ação delituosa bem planejada ou as consequências dela?" p. 82. O personagem fica na dúvida entre matar um velho para roubar ou evitar tal atitude, em uma clara alusão ao neo-Raskolnikov, personagem do livro Crime e Castigo de Dostoiévski.

É um dos melhores livros que li nos últimos dias. Fica aqui a dica.

"...bati-o violentamente no ladrilho. Nada! O rato, agora meio amassado, continuava com os dentes cravados no meu indicador. Oh! O horror! O que não faz o homem no auge do desespero! Não tive tempo para raciocinar. A dor e o ódio embotaram os últimos traços de humanidade que havia em mim. Levantei-o até à altura da minha boca e dei-lhe uma mordida na cabeça, esmagando o seu crânio como se fosse uma cobertura crocante de alguma sobremesa." p.126/7

2 de out de 2012

Córtex visual

O

r
e
l
â
m
pago
apagou meu olhar,
+ foi incapaz de cortar,
sequer ofuscar o brilho
 de sua presença em mim.

28 de set de 2012

Sobre sabores e dissabores

Aproveito para postar aqui, enquanto há algum tempo e enquanto eu tiver forças; não tardará muito que minhas forças se vão e fique só um espectro de vontade e o tempo se dilua sem que eu perceba e fique só um rastro de memória. Após decidir viver minha vida no melhor dos mundos possíveis, para atenuar sofrimentos d'alma e as arestas da falta de calma, volto-me para um cotidiano necessário que é imprenscindível para viver: a saber, a comida.
A partir deste mês, setembro de 2012, uma vez por mês passearemos por restaurantes, lancherias, bares, balcões, botecos e o que mais aprouver, da mais alta gastronomia da cidade à mais popular, a fim de simplesmente comer, porque, como já citei, comer é também necessário para viver.
Viveremos no melhor dos mundos, andaremos nos mais variados lugares, saborearemos os mais diversos cardápios, sentiremos os mais profundos odores, saborearemos os mais diversos condimentos, admiraremos sempre a beleza das refeições e comer,...comer terá outros significados. A ideia de comer fora, será a desculpa para nos reunirmos, nos congregarmos, nos irmanarmos, nos agregarmos e compartilharmos experiências e vivências significativas para nós. Será um encontro de estômagos e de almas sedentas por algo mais, seja a comida para nutrir o corpo, ou a conversa para nutrir o espírito.
Com uma escrita nem tão rigorosa, nem tampouco casual, procurarei assentar aqui, minhas impressões "gastrocômicas".
Foi no dia 28 de setembro de 2012. O dia estava claro e um sol irradiava por toda cidade. Estavam eu, mais Angela, Lucênia e Luciana Ledur. O local escolhido foi o Shopping Santa Cruz.
Foi uma refeição colorida, leve e saborosa. Enquanto a Angela e a Lucênia preferiram apreciar os Sabores, eu e a Luciana, por estarmos famintas, optamos pelo Guloso.

26 de set de 2012

Carta à uma amiga



Minha cara amiga.
Não se admire se algumas palavras se repetirem nesta carta, tal é a confusão do meu espírito. Quero que sejas a primeira a saber da novidade:  estou cursando Filosofia na Unisc. Entrei no curso de Filosofia meio que fortuitamente. Em maio do corrente ano, recebi, por e-mail, informações sobre o Plano Nacional de Formação dos Professores da Educação Básica – PARFOR. Fiquei deveras eufórica e, tomada de êxtase, corri ao Departamento, fiz ligações para a PROGRAD, falei com a 6ªCRE, a fim de obter maiores esclarecimentos sobre o curso. Frustrada, recebi a informação de que se tratava de um curso presencial e de Graduação. No ímpeto em buscar maiores conhecimentos e subsídios para enriquecer as aulas de Filosofia, julguei ter lido “Curso de atualização” e não “Curso de Graduação”. É de seu conhecimento que tenho uma super carga horária (12 horas diárias) e as aulas presenciais inviabilizariam minha participação. Por fim, acabei me inscrevendo no curso devido ao baixo número de inscritos, inicialmente. Havia combinado com a coordenação do curso que, tão logo ele fosse aprovado pela CAPES/MEC, cancelaria minha inscrição. Entretanto, após ler meu nome na lista dos selecionados e ter feito a matrícula, não ousei cancelar minha inscrição. Estou fazendo agora a 2ª disciplina e disposta, minha querida amiga, a ir até o fim do curso. Claro que estou contando com a colaboração dos professores no que diz respeito a faltas, pois não poderei participar das aulas nas sextas-feiras, e participarei todos os finais de semana em que não estiver escalada na Biblioteca da Unisc, na qual trabalho como Bibliotecária de Periódicos. Você me conhece de longa data e sabe da minha predileção pelo conhecimento em geral e pela Filosofia em particular. Lembra de como gostava de participar dos eventos da Filosofia, sempre que possível? Lembra que falava com você em como adorava a professora Suzana Albornoz? Você lembra também do curso de “Filosofia e Felicidade” de que participei? Eu metida no meio de filósofos, professores e alunos? Lembra que quando me visitava eu socializava com você minhas impressões? Pois é, a vida dá voltas, não é mesmo? E agora, cá estou, realizando este curso que espero me ajude a desbravar os caminhos obscuros e misteriosos da vida. Veja, alguns fatores que endossaram minha decisão:
- trabalho com a disciplina de Filosofia em sala de aula e não tenho a formação necessária, como você sabe, sou Licenciada em História pela UFPel e Bacharel em Biblioteconomia pela FURG;
- o curso é totalmente gratuito;
- tenho disposição para aprender, apesar da pouca disponibilidade de tempo;
- meu dever enquanto educadora é procurar estar melhor preparada para ousar ensinar, vencendo inicialmente minha própria ignorância.
Meu espírito esperou pacientemente por este momento, vigiando sobre meu corpo, que, cada vez mais enrijecido, começa a movimentar-se agora com as vibrações dos filósofos e a amizade que tenho pelo saber. Gerbi destaca que, para Hegel (apud Mozart Linhares da Silva), “Os animais dormem por instinto; os selvagens repousam à noite; apenas o Espírito faz da noite dia”.
Espero que, ao final, as faltas nas noites de sextas-feiras sejam compensadas com a dedicação dos outros dias, que o espírito reine sobre a carne e que Ariel vença Caliban.
Um abraço, minha amiga. Crer na Filosofia e na arte de duvidar e fazer perguntas é uma das melhores coisas da vida. Creiamos, pois.
Jorcenita Alves

Revisão S. R. Tornquist

21 de set de 2012

Há 13 anos

Faz 13 anos que aqui estou,
cidade de Santa Cruz.
Para Pelotas eventualmente vou,
mas retorno agora sem velas, nem cruz.

Fiz História,
mas vim pela Biblioteconomia.
Faço Filosofia,
mas ficarei entre livros.

Minha sina é estar em Bibliotecas,
seja em Pelotas, na Pública Pelotense,
ou na de caráter público Santa-cruzense.

A Unisc tem sido meu segundo lar,
Uma Universidade boa para estudar
e boa para trabalhar.

17 de set de 2012

Frases de Pepetela

Enquanto lia, anotava o que segue:

"A cabeça cresce com as verdades que nela entram." Pepetela

"Faltando a coragem de nos mirarmos
Medo de nos derretermos.
Assim é o amor." Pepetela, p.51.

"Alguém sabe mesmo o que amor é?
Pobre é o amor
Que pode ser contado" William Shakespeare

"Todos se sentiam úteis,
sem noção de serem quase inúteis.
Gente feliz, portanto." Pepetela, p.73.

"É na capacidade de perder
e mesmo assim lutar
que está a grandeza." Pepetela, p.94.

"Nunca se sabe responder
à questão da definitude,
eis o Homem." Pepetela, p.106.

"A onça deixada pra trás no nosso trajeto de humanização nunca se dilui completamente dentro de nós, por muitos livros lidos, viagens feitas ou debates intelectuais participados. Existe sempre uma unha ou dente de onça que se manifesta quando a ocasião é propícia. Somos considerados civilizados se somos capazes de o esconder sempre do conhecimento dos outros. Mas exsite todavia um pedaço selvagem permanecendo de atalaia. E ao menor pretexto damos o bote. Somos de uma humanidade animal." Pepetela, p.121.

"De fato nunca se matam realmente saudades, é apenas uma forma de dizer." Pepetela, p.144.

12 de set de 2012

Dormindo com filósofos

Hoje, aproveitarei que meu marido foi viajar e dormirei com filósofos.
Venha, Arquíloco!
Entrai pelas minhas portas, Teógnis!
Seja bem-vindo, Píndaro!

Venham todos ao meu humilde lar, pois quero ouvi-los, secretamente.
***
O silêncio deles é alarmante,
(as imagens, estarrecedoras,
um cheiro de ácido oleico)
uma poeira entra por minhas narinas.
Não consigo parar de tossir.
O pó fica impregnado no ambiente,
as palavras saltam num silêncio cortante:

"E não te esqueças, meu coração,
que as coisas humanas apenas
mudanças incertas são." Arquíloco

"Choremos a juventude e a velhice também,
pois a primeira foge e a segunda sempre vem." Teógnis

"A glória dos mortais num só dia cresce,
Mas basta um só dia, contrário e funesto,
para que o destino, impiedoso, num gesto
a lance por terra e ela, súbito, fenece." Píndaro
***
Não ficaram comigo muito tempo, pois furtivamente,
sem a menor cerimônia, mesmo não acessando mais
regularmente o Orkut, escapei num átimo para o Facebook.
***
Ficaram chocados, estavam indo embora,
cabisbaixos, em linha reta andando,
quando ouviram um poeta brasileiro
andando em círculos e lamentando...

"Como a vida muda.
Como a vida é muda.
Como a vida é nula.
Como a vida é nada.
Como a vida é tudo.
Tudo que se perde
mesmo sem ter ganho
.
Como a vida é senha
de outra vida nova
que envelhece antes
de romper o novo.
Como a vida é outra
sempre outra, outra
não a que é vivida.
Como a vida é vida
ainda quando morte
esculpida em vida.

Como a vida é forte
em suas algemas
Como dói a vida
quando tira a veste
de prata celeste.
Como a vida é isto
misturado àquilo.
Como a vida é bela
sendo uma pantera
de garra quebrada.
Como a vida é louca
estúpida, mouca
e no entanto chama
a torrar-se em chama.
Como a vida chora
de saber que é vida
e nunca nunca nunca
leva a sério o homem,
esse lobisomem.
Como a vida ri
a cada manhã
de seu próprio absurdo
e a cada momento
dá de novo a todos
uma prenda estranha.

Como a vida joga
de paz e de guerra
povoando a terra
de leis e fantasmas.
Como a vida toca
seu gasto realejo
fazendo da valsa
um puro Vivaldi.

Como a vida vale
mais que a própria vida
sempre renascida
em flor e formiga
em seixo rolado
peito desolado
coração amante.
E como se salva
a uma só palavra
escrita no sangue
desde o nascimento:
amor, vidamor!"

Carlos Drummond 

No final, tudo se tranformará em pó, eles e eu.
só as palavras cortarão o silêncio cortante.

11 de set de 2012

AME

GgRitEe verdades com Gragântua
Descarte velhas ideias com Descartes
Conte causos ou Contos gauchescos, ou
Lendas do sul.
Mas AME, principalmente
ame
com
Amado

9 de set de 2012

O liberdade

Retornando a Pelotas, vou procurar "O Liberdade",
E o dono do local, com toda a simplicidade,
lembra do meu avô e dos tempos da mocidade.


Fala do meu tio Nelson,
pois é seu afilhado, desde quando pequeno.

***

Já posso cantar "Boemia",
pois regressarei de onde já fui,
e voltarei ao reduto do choro
e ao restaurante popular,
quando à cidade, eu voltar.


Em Pelotas, há quase 40 anos, se apresenta o grupo de choro Avendano Jr. e o Regional.
De noite, reduto do choro. De dia, restaurante popular.

4 de set de 2012

... ou "Olhar"

Rios descem no meu ser
sinto-me inundada
rios que não molham
águas que não escorregam
rio que fica PuLsando
no r-i-t-m-o do coração
à espera de uma fricção.

21 de ago de 2012

Pausa no Blog

Talvez meu blog fique desativado por alguns meses, por falta de tempo. Além das habituais 60horas diárias na Biblioteca e na Escola, do Sl&l que me sugestiona livros e mais livros que enaltecem minha alma; das aulas de português que estou adorando e iluminam meu saber; sou aluna do curso de Filosofia/Parfor/Unisc/Capes que certamente formará melhor a minha consciência moral que se perde Nas estradaS da vida.

"O sábio pode andar por toda a Terra pois a pátria de uma alma boa é o mundo inteiro". Demócrito

15 de ago de 2012

Garota do Trombone

Hoje, quase que o Zé fica internado no Hospital Santa Cruz, exames, raio-X, ecografia detectaram possibilidade de apendicite aguda. Como são apenas possibilidades... ele retornou para casa.
Enquanto ele descansa, 'dormindo o sono dos justos', eu termino de ler "A garota do trombone", estou muito cansada. Estou em férias, mas particularmente hoje, foi um dia de cansaços e de atrasos para mim.

"As horas não têm a menor importância. A gente sempre chega tarde ao que realmente tem importância." (Skarmeta, 2003, p.55).

"Uma espécide de suspiro profundo me acalmava e me proibia de chorar. Na época, eu não conhecia as palavras para descrever exatamente esse suspiro. Mas agora sei dizer que o que eu sentia dentro de mim era o grande nada: a presença de uma distância que fere todas as coisas quando falta o sentido e o fundamento." (Skarmeta, 2003, p.65).


"Você já reparou que existem na vida pessoas que carecem de acentos? [...] Tão previsíveis como as fases da lua, cem por cento constantes."  (Skarmeta, 2003, p.160).
"O homem esticou a vara de seu trombone até o limite, e de um salto que eu diria angelical a menina dependurou-se no instrumento, e balançando-se feito uma trapezista mandou , com um gesto, que o homem começasse a tocar." (Skarmeta, 2003, p.9).

A 'garota do trombone' é continuação de 'As bodas do poeta', narrativa que conta a partida do clã da costa da Malícia, em direção à América durante a Guerra.

12 de ago de 2012

Férias de inverno

São 17h22 de 12 de agosto de 2012.
Acabo de ler o seguinte livro:
 

SCHEIBLER, Marcio Vinicius. Irresistivelmente fatal. Santa Cruz do Sul: Zum, 2010. 168 p.

Ontem, dia 11 de agosto, depois de mais uma edição do Sl&l, fomos ao cinema assitir "On the road".

"O peso do mundo
é o amor.
Sob o fardo
da solidão,
sob o fardo
da insatisfação


o peso
o peso que carregamos
é o amor

Quem poderia negá-lo?
Em sonhos
nos toca o corpo,
em pensamentos
constrói um milagre,
na imaginação
aflige-se
até tornar-se
humano

sai para fora do coração
ardente de pureza

pois o fardo da vida
é o amor." Allen Ginsberg

Enquanto o Zé assiste o jogo, no entardecer deste final de semana que antecede minhas férias, continuarei a leitura inacabada d' "A garota do trombone."

29 de jul de 2012

Pozenato

"Do meu poço enferrujado
soubeste a chave e o cadeado  (...) "
J.C.Pozenato.
não quero ouvir falar o nome
desta coisa que me consome

Epigramas do embuçado

Reprodução de "Leitor obtuso" de José Clemente Pozenato

"Que também poderá ser
se acaso pensares
que a simpleza dos versos
é simplória

ou que a ausência de flores
retóricas
e de esconsas metáforas
é impotência
ou que a falta
de jogos visuais
e processos grafescos
é esclerose.

o simples é o difícil
o moderno é a palavra."

José Clemente Pozenato

25 de jul de 2012

Vida

Passam palavras no tempo
o tempo sempre passa
as palavras permanecem

livres, soltas, leves
formando mais palavras
num fluxo infinito, enriquecem

o tempo passa
o tempo voa
a vida é breve
só as palavras acontecem

a palavra flui
a vida se dilui
ante o pó estremece
mas, uma palavra, fortalece

palavras que
enriquecem
acontecem
permanecem

Basta uma palavra,
e a gente não mais esquece,
aquiesce, se aquece
se enternece e adormece,
no tempo que permanece.

23 de jul de 2012

Vida campeira ou vida em Campina ?

Planos
planos
feitos
face a face

entre bits e bytes

Planos
desfeitos
frente ao medo
de sair do plano
e ter que voar
em outros books.

É tão seguro
ficar no casco.
Felizmente tenho amigos
que me dão a mão
e dizem :
Vem, não tenha medo
o voo nunca é seguro.

Vida campeira, vida pequena.

22 de jul de 2012

Desejo x fantasia x Vida

Encontro este trecho na internet. Sei que é parte do filme "A vida de David Gale". No início do filme, Gale, em uma aula de Filosofia, faz uma pequena fala sobre temas diversos como Lacan, fantasias, desejos, etc. Nunca levo o filme para a escola (quando trabalho temas polêmicos como Pena de Morte) porque respeito a Classificação dos filmes. Preciso assistir novamente, para xecar as informações que por ora, reproduzo.

"Entendem a idéia de Lacan: As fantasias têm de ser irreais. Porque no momento, no segundo que consegue o que quer… não quer, não pode querer mais. Para poder continuar a existir o desejo tem de ter os objetos eternamente ausentes. Vocês não querem ”algo”, querem a fantasia desse ”algo”. O desejo apóia fantasias desvairadas. Foi essa a idéia de Pascal ao dizer que somos realmente felizes quando sonhamos acordados com a felicidade futura. Daí o ditado: ”O melhor da festa é esperar por ela”. Ou: ”Cuidado com seus desejos”. Não pelo fato de conseguir o que quer, mas pelo fato de não querer mais depois de conseguir.
Então, a lição de Lacan é: Viver de desejos não traz a felicidade. O verdadeiro significado de ser humano é a luta para viver por idéias e ideais. E não medir a vida pelo que obtiveram em termos de desejos, mas pelos momentos de integridade, compaixão, racionalidade e até auto-sacrifício. Porque no final a única forma de medir o significado de nossas vidas é valorizando a vida dos outros."


Sartre

Meta a fora, obsessiva.

Ontem, estive no mesmo lugar de hoje.
Obscurecida ante uma autoridade acima da razão
Sonhando com monstros, talvez.
Nisso, J.L.Borges aparece, e me desperto
em apertos cavalgares no coração.
Trocamos poucas palavras.
Me inspiro em L. Borges, sai o Betto, entra o Lira Neto,
mas por mais que eu tente, o disco fica arranhado.

"Se uns denunciavam Getúlio como fascista, outros começaram a ver nele uma ameaça vermelha, capaz de se aliar aos comunitas para tomar o poder." (Lira Neto, p. 352)
"Se uns denunciavam Getúlio como fascista, outros começaram a ver nele uma ameaça vermelha, capaz de se aliar aos comunitas para tomar o poder." (Lira Neto, p. 352)
"Se uns denunciavam Getúlio como fascista, outros começaram a ver nele uma ameaça vermelha, capaz de se aliar aos comunitas para tomar o poder." (Lira Neto, p. 352)
"Se uns denunciavam Getúlio como fascista, outros começaram a ver nele uma ameaça vermelha, capaz de se aliar aos comunitas para tomar o poder." (Lira Neto, p. 352)
"Se uns denunciavam Getúlio como fascista, outros começaram a ver nele uma ameaça vermelha, capaz de se aliar aos comunitas para tomar o poder." (Lira Neto, p. 352)
"Se uns denunciavam Getúlio como fascista, outros começaram a ver nele uma ameaça vermelha, capaz de se aliar aos comunitas para tomar o poder." (Lira Neto, p. 352)
"Se uns denunciavam Getúlio como fascista, outros começaram a ver nele uma ameaça vermelha, capaz de se aliar aos comunitas para tomar o poder." (Lira Neto, p.352)


Leio, releio, transleio, interleio, multileio, intraleio e volto a ler,
mas não consigo avançar, pois já não consigo pensar.
Palavras não bastam.

No entanto o consciente, tenta ajudar a mente.
Tenho artimanhas: meus neuropeptídeos
me acodem a tempo, diante do tempo

- Ler em voz alta!, eis a solução.
Essa atitude, será meu site receptor
para desarranhar o parágrafo entravado.

Respiração ofegante, mãos na cabeça!
Olhar tenso, denso, atenção redobrada às palavras
Leio muitas palavras, palavras que a si mesmo se bastam
Pouco a pouco, passo a ouvir-me balbuciar lentamente

"Enquanto muitos em volta já falavam abertamente em revolução, fosse de direita ou de esquerda, Getúlio continuava a exibir toda a fleuma possível. Naquele mês de setembro de 1929, repetiu o rito semanal de ir a pé do palácio do governo até a Livraria do Globo, para encontrar os amigos de sempre, fumar os charutos preferidos e prosear durante horas sobre livros e literatura." (Lira Neto, p.352-353).

Não sei como sair deste círculo!
Desisto.
Quem sabe pode haver um amanhã.

Vitor Ramil encontra João Simões, no Café Aquário. Não estou em Satolep, mas porque não poderia encontrar um Borges em um refúgio literário de uma Cafeteria qualquer ?


"O virgem, o vivaz e o belo neste dia
Vai-nos ferir num golpe de asa em desvario
Rijo lago esquecido sob o orvalho frio
O gelo transparente em vôos sem mais via!

Um cisne de outros tempos lembra que seria
Ele, magnífico sem fé que se evadiu
Por não haver cantado a terra onde existiu
Quando o tédio do inverno estéril reluzia.

Todo o seu colo agita o branco frenesi
Por esse espaço imposto ao pássaro que a si
O nega, horror ao solo; as plumas sem saída.

O fantasama , que ali seu puro albor designa,
Imóvel, gélida quimera escarnecida,
Que veste o Cisne o inútil exílio do Signo."

Mallarmé, Stéphane. Poemas.

19 de jul de 2012

NETO, Lira. Getúlio: dos anos de formação à conquista do poder (1882-1930)

"Na vida pública todo homem se vende, depende do que é oferecido como moeda", admitiu. "Vamos apoiar, mas isso tem um preço." p. 323.

Assis Brasil, setenciara em seu livro "A democracia representativa" o seguinte: "Politicamente, é imoralidade reunirem-se indivíduos de credos diferentes, com o fim de conquistar o poder, repartindo depois, como causa vil, o objeto da cobiçada vitória." p. 328-329

No entanto cinco folhas datilografadas, abrandariam as velhas rixas entre republicanos e libertadores.


Lá pelo meio do livro, na pág. 332 lê-se o que segue: "aquele símio baiano" ou "correu como um avestruz". Explico: Na busca por um companheiro de chapa para Getúlio Vargas (após a tentativa frustrada de Paulo de Frontin - RJ), abordou-se o então deputado federal, Ernesto Simões Lopes, líder da bancada baiana na Câmara e fundador do jornal A Tarde, de Salvador. O referido repeliu a proposta e bateu boca com Neves.
"Se o Vilaboim não me barra a passagem, creio que teria segurado os fiapos da barba do célebre Simões Filho", relatou João Neves a Getúlio." referindo-se depois ao oponente com exemplos metafóricos zoológicos.

NETO, Lira. Getúlio: dos anos de formação à conquista do poder (1882-1930). 1. ed. São Paulo: Companhia das Letras, 2012. 629 p.

14 de jul de 2012

Acreditando no impossível.

"Queria ser o livro que em tuas mãos folheias, levando os dedos levemente aos lábios e molhando-o com sua saliva, para virar a página do avesso..., indelevelmente, com o ardor de uma paixão indescritível, com sofreguidão intraduzível, ante o desejo lascivo e ardente da próxima palavra escrita." Jorce.
Robert Crumb: Gênesis
Tim LaHaye & Jerry Jenkins: A Marca
Fonte: http://www.evenancio.com/2010/05/livros.html EvAnDrO vEnAnCiO Vs Pensamento Fabricado - A Batalha Final

11 de jul de 2012

Choro inconsciente

Certa vez, fiquei na dúvida, se tinha ouvido:
Acorda!!!!
ou A corda.
Então resolvi acordar para a vida.


Fiz um acordo comigo
de não me apavorar
Fui confiante ao bloco
para me anestesiar

Horas depois acordei chorando
ante um anestesista enternecido

pensei (...)

'Nada é eliminado no inconsciente,
nada é superado ou esquecido'.

A arte sobrevive como uma significativa experiência humana.

5 de jul de 2012

30 de jun de 2012

Abc Sintho

A felicidade só é verdadeira quando compartilhada.

Se a cabeça cresce com as verdades que nela entram,
Se a garganta aquece com as bebidas que nela descem
Se o sorriso se faaaaaaaz, com um flash que se desfaz
Se a gente se encontra n'alma do outro, no sorriso do outro,
no abraço do outro, na alegria do outro.
Se assim vivemos nossos dias
compartilhando vida, que
é impossível sem poesia.
Se, só faz sentido
Se tem sentido
Se a vida não
 tem sentido,
se a vida é
 sem sentido
Eu dou
para ela
o sentido!
a-b-c-d-eu
Eu sinto
AbCintho.

A felicidade só é verdadeira quando compartilhada. (Frase do filme: Na natureza selvagem)

24 de jun de 2012

Poemas do Affonso Romano de Sant'Anna


Amor e medo

Estou te amando e tenho medo.
Estou te amando, sim, concedo.
Mas te amando tanto
que nem a mim mesmo
revelo este segredo. A.R.Sant'Anna

Flor & Cultura

Meu conceito de jardim
determina
o que é praga
ao redor de mim. A.R.Sant'Anna


15 de jun de 2012

Sexta-feira

Hoje o dia para mim foi improdutivo, ao menos a tarde, mas a noite promete!
Começarei ouvindo os trabalhos dos alunos sobre arte, música, arquitetura, pintura, escultura, literatura, etc. no Renascimento;
Na sequência "A Declaração dos Direitos Humanos Universais" e um pequeno teste de avaliação;
Logo após rumaremos para a Grécia com retrospectiva do conteúdo, exercícos de fixação e trabalhos;
Por fim, socializarei com o Zé algum poema da língua inglesa e comentarei por breves minutos as leituras que estou fazendo: Getúlio: dos anos de formação à conquista do poder (1882-1930), HHhH ou Himmlers Hirn heisst Heydrich e o Planalto e a estepe. Para fechar a noite, ficaremos entre:

 A informante  ou Albert Nobbs 
E assim seremos felizes para sempre. "Todos se sentiam úteis, sem noção de serem quase inúteis. Gente feliz, portanto." Pepetela.

11 de jun de 2012

Apocalypto

Final de semana assisto o filme Apocalypto.
Perco o sono, bebi demais.

"O homem sentou sozinho numa tristeza profunda.
E todos os animais se aproximaram e disseram:
- Não gostamos de ver você tão triste!
“Peça-nos o que quiser e você o terá.”
O homem disse: “ - Quero ter boa visão.”
O abutre respondeu: “Terá a minha.”
O homem disse: “ - Quero ser forte.”
A onça disse: “ - Vai ser forte como eu”
Então o homem disse: “ - Quero saber os segredos da terra.”
A serpente respondeu: “ - Vou revela-los à você.”
E assim foi com todos os animais.
E quando o homem tinha tudo que eles podiam dar... ele partiu.
E então a coruja disse aos outros animais:
“ - Agora o Homem sabe muito e pode fazer muitas coisas.”
“De repente tenho medo.”
A corça disse: “ - O Homem tem tudo o que precisa.”
“Agora sua tristeza vai acabar.”
Mas a coruja respondeu: “- Não! Eu vi um vazio no homem. Grande como uma fome que ele nunca vai saciar. É isso que o deixa triste e isso que o faz querer mais.”
Ele vai pegando e pegando.
Até um dia em que o Mundo dirá:
“Não mais existo e nada mais tenho para dar.”

Filme: Apocalypto

5 de jun de 2012

Dalton Trevisan


"Na cama, diz o marido:
-Você é gorda, sim. Mas é limpa.
-...
-Você é feia, certo? Mas é de graça.


                           ***

- E eu? Não sou mais velho que a minha jaqueta?
Será que vai me dar para os pobres?"
 

Dalton Trevisan

2 de jun de 2012

GuEs

dan
      ça

a
chuva
em tardes, noites.
O som ritmado (...)
não acorda as gotas que já dormiram.

Beto Carrero


Diego não conhecia o mar. O pai, Santiago Kovadloff, levou-o para que descobrisse o mar.
Viajaram para o Sul.
Ele, o mar, estava do outro lado das dunas altas, esperando.
Quando o menino e o pai enfim alcançaram aquelas alturas de areia, depois de muito caminhar, o mar estava na frente de seus olhos. E foi tanta a imensidão do mar, e tanto fulgor, que o menino ficou mudo de beleza.
E quando finalmente conseguiu falar, tremendo, gaguejando, pediu ao pai:
         Me ajuda a olhar! Eduardo Galeano. O livro dos abraços.

A melhor parte da viagem para mim, foi a felicidade estampada no rosto e verbalizada nas palavras, dos alunos que ainda não conheciam o MAR.

17 de mai de 2012

Minhas tardes com Margueritte

Gérard Depardieu e Gisèle Casadesus - Divulgação
"Foi um encontro discreto
Do afeto com o amor
Ela não tinha outro teto
Tinha nome de flor


Vivia cercada de palavras
Adjetivos, substantivos
Verbos e advérbios


Alguns chegam sem jeito
Ela chegou com doçura
Quebrou minha armadura
E se alojou no meu peito


Nas histórias de amor
Não há apenas o amor
Nunca dissemos..."eu te amo"
No entanto, nos amamos


Não é uma história comum
Ela leu para mim
Num banco de jardim

Era frágil como uma pomba
Sentada àquela sombra


Cercada de palavras 
De nomes comuns como eu


Me deu muitos livros
Que me tornaram mais vivo

Não morra agora
Espere um pouco
Não é hora 
Doce senhora
Me dê um pouco mais ainda 
Um pouco mais da sua vida


Espere...


Nas histórias de amor
Não há apenas o amor
Nunca dissemos..."eu te amo"
No entanto, nos amamos".

15 de mai de 2012

Livros para para download gratuito

http://culturaacademica.com.br/catalogo-item.asp

Blogue "A Informação"

Blogue 'A Informação'



Posted: 14 May 2012 05:29 PM PDT
Por Janine Souza em 13 de maio de 2012 - Matéria Especial
Jornal Correio do Povo, Porto Alegre. Rio Grande do Sul, Brasil.


Arquivistas e bibliotecários aderem às novas tecnologias e renovam a profissão
Foi-se o tempo em que o arquivista era aquele profissional mergulhado em documentos empoeirados e que o bibliotecário era a senhora pedindo silêncio dentro da biblioteca. Quem acha que essas duas profissões estão em vias de desaparecer por conta da era digital, engana-se. Elas passaram por reformulações, com o advento das novas tecnologias, e estão superatualizadas. Ainda, geram boas oportunidades de emprego, principalmente em concursos públicos, que chegam a pagar mais de R$ 6 mil para ambos os cargos. Já na iniciativa privada, o salário médio fica aquém desse patamar, na faixa dos R$ 1,6 mil.

A bibliotecária e arquivista Isabela Siebra Alencar observa que as vagas para esses ramos estão concentradas em empresas de grande porte, como as universidades. “A diferença do serviço público para a iniciativa privada é que o primeiro já sabe do valor desses profissionais, já a segunda desperta aos poucos para a sua necessidade”, diz ela, que é assessora do Sindicato dos Bibliotecários do Rio de Janeiro.

Enquanto isso não acontece, as poucas empresas do ramo faturam alto. De acordo com a Associação Brasileira de Gestão de Documentos, em 2011, 70 organizações dedicadas a guardar documentos de outras companhias dividiram um faturamento de R$ 1,2 bilhão no país, 20% mais que em 2010. O grupo mantém 40 milhões de caixas de papelão de padrão arquivo lotadas de informações de diversos setores, como financeiro, hospitalar e jurídico.

A coordenadora do curso de Arquivologia da Ufrgs, Maria do Rocio Teixeira, diz que os cursos de Biblioteconomia e de Arquivologia estão vivendo um momento de redescoberta. “São profissões que gerenciam documentos e muitos municípios estão precisando deles, principalmente no interior do país”, revela a professora. No RS, além da Ufrgs, essas graduações são oferecidas na Universidade Federal do Rio Grande (Furg) e na UFSM (nesse caso, só tem Arquivologia).

A procura pelos cursos é baixa. No vestibular da Ufrgs de 2012, foram 3,57 candidatos por vaga na Arquivologia. Já na Biblioteconomia, foi menor ainda: 2,44 candidatos/vaga. No geral, os estudantes são recrutados quando ainda estão no meio do curso para estágio e, na maioria dos casos, efetivados ao término do contrato.

“Existe a procura por estagiários, mas não conseguimos dar conta de preencher as vagas. As instituições demandam pelos arquivistas e também aumentaram as suas remunerações, até para os estágios. Para o bacharel recém-formado, da mesma forma, temos cada vez mais oportunidades”, completa o coordenador do curso de Arquivologia da UFSM, Daniel Flores.

Além das bibliotecas

O bibliotecário tem hoje uma gama de possibilidades que vai além das unidades de informação, tornando-se requisitado no mercado

A arquivista Flávia diz que a profissão traz
sempre novidades e revelações guardadas
ao longo dos anos (Foto: Tarsila Pereira/CP)
No mercado de trabalho, a informação pode ser a arma do negócio. Nesse sentido, o aumento da competitividade fez com que o bibliotecário saísse das unidades de informação e de trás das mesas das bibliotecas e estendessem a sua área de atuação. “Empresas das mais diversas áreas o requisitam para buscar, reunir, organizar e facilitar o acesso à informação”, afirma Angélica Conceição Dias Miranda, presidente do Conselho Regional de Biblioteconomia da 10 Região (CRB 10) e coordenadora do curso de Biblioteconomia da Universidade Federal do Rio Grande (Furg).

Para quem atua na área, outra vantagem é a falta de concorrência. No CRB 10, por exemplo, são apenas 1,2 mil profissionais associados. Com os horizontes ampliados, muitos bibliotecários estão sendo contratados para organizarem tratados, estudos, documentos digitalizados. “Muitos escritórios de advocacia contratam esses profissionais para organizarem a jurisprudência. Ou mesmo hospitais e instituições de ensino médico, que reúnem grande acervo de especialidades e procedimentos, contratam os bibliotecários para pôr essa documentação em ordem”, afirma a professora Samile Vanz, coordenadora do curso de Biblioteconomia da Ufrgs.

O advento das mídias digitais contribuiu para a transformação do trabalho do bibliotecário. “Profissionais de qualquer área precisam ter conhecimentos de informática e de mídias em geral, não sendo diferente na área de Arquivo e Biblioteconomia. É cada vez mais frequente o uso das modernas Tecnologia da Informação e Comunicação no tratamento, guarda, recuperação da informação”, destaca o professor de Arquivologia, Marcelo Marques.

A lei 4.084/62, que reconhece o bibliotecário como profissional, completou 50 anos em março. O primeiro curso de Biblioteconomia no país surgiu em 1911, com a criação da Biblioteca Nacional.

Nenhum dia igual

A rotina não é a mesma. E a cada dia surge uma novidade. Pelo menos é o que garante a arquivista Flávia Conrado, de 29 anos. Natural de Cruz Alta, Flávia se formou na Universidade Federal de Santa Maria (UFSM), passou em concurso público e hoje trabalha na Ufrgs, onde é diretora da Divisão de Documentação da instituição. “Sempre gostei de organização. Queria fazer Biblioteconomia, mas a UFSM não tinha o curso. Fui para a Arquivologia e me apaixonei pela profissão. Quem imagina que seja estática, sem alternativas e enfadonha, se engana. Aqui, um dia não é igual ao outro. Sempre surgem novidades e coisas interessantes”, garante ela.

A arquivista conta que a maior parte da documentação é guardada em ambiente higienizado. Mas que as pilhas de papel e a poeira ainda fazem parte do cotidiano. “Quando isso acontece, usamos jaleco, máscara e luvas, os equipamentos de proteção individual”, esclarece Flávia.

Na Ufrgs, os documentos vão para o Arquivo Geral. E as pesquisas a essas informações são sempre reveladoras. “Apesar de administrativa, nossa documentação tem o aspecto cultural do patrimônio, pois guarda a vida escolar de grandes nomes do RS, como ex-alunos do quilate de Leonel Brizola, Paixão Côrtes, Mário Totta, Frederico Westphalen, entre outros”, relata Flávia.

Caminhos do conhecimento


A Internet ajuda Michelângelo a aprimorar
o seu trabalho (Foto: Mauro Schaefer/CP)
Para atuar com os livros, o bacharel em Biblioteconomia Michelângelo Viana, 37 anos, foi além dessa graduação. Coordenador de Sistemas da Biblioteca Central Irmão José Otão, da PUCRS, ele também tem formação em Análise de Sistemas e em Administração e ainda tem inglês fluente. “Sempre tive a preocupação em ter um nicho específico de trabalho, por isso busquei desenvolver conhecimentos de informática. Hoje, sou responsável pela integração da base de dados da biblioteca”, relata.

A Biblioteca Central Irmão José Otão é considerada uma das unidades com mais recursos tecnológicos do Estado. “Quando entrei aqui, tínhamos 50 computadores em uma sala, Atualmente, são 350 espalhados pelo prédio, que tem quatorze andares. E, desde 2005, as pessoas podem acessar a biblioteca pela Internet, fazendo de casa ou do trabalho a renovação do empréstimo, acessando o acervo digital e fazendo reservas, por exemplo”, enumera Viana.

A tecnologia é algo que está aparente no trabalho do bibliotecário. “Estou o tempo todo ligado em tudo o que acontece no que diz respeito às bibliotecas. Participo de simpósios e de encontros internacionais mundo afora para me manter atualizado. Procuro na Internet assuntos relacionados e vejo como podemos aplicar aqui essas novidades”, diz.

Para aumentar a riqueza de material disponível na biblioteca, Viana divulga um dos novos empreendimentos. “Estamos desenvolvendo um projeto que reúne todas as publicações dos professores da PUCRS, o que chamamos de Repositório Institucional. E também assinamos várias revistas e livros digitais”, comenta.

Sobre a profissão, Viana diz que faz falta a existência de um sindicato para a categoria. “Isso é uma coisa que precisa acontecer ainda. Mas o bibliotecário tem que ter na mente que a nossa principal função é fornecer os caminhos para que as pessoas possam acessar o conhecimento”, completa.