20 de dez de 2009

Notas de "Caim"

"...Além disso, como já nesta época era sabido, a carne é supinamente fraca, e não tanto por sua culpa, pois o espírito, cujo dever, em princípio, seria levantar uma barreira contra todas as tentações, é sempre o primeiro a ceder, a içar a bandeira branca da rendição..." pág. 55

"A história dos homens é a história dos
seus desentendimentos com deus,
nem ele nos entende a nós,
nem nós o entendemos a ele."
pág. 88

"Não sabes a força que têm os anjos, com um só dedo levantariam uma montanha, o que me vale é serem tão disciplinados, não fosse isso e já teriam organizado um complô para me deporem, Como satã, disse caim, Sim, como satã, mas a este já lhe encontrei a maneira de o trazer contente, de vez em quando deixo-lhe uma vítima nas mãos para que se entretenha, e isso lhe basta." pág.153
By José Saramago
A página 79 do livro é extremamente curiosa, nela o autor, literalmente, solta o verbo! §*&$%+@#
Achei o livro caricato e pouco criativo, mas vale a pena a leitura.

18 de dez de 2009

Nada (.) Tudo (?)

Nada do que foi será
De novo do jeito que já foi um dia
Tudo passa
Tudo sempre passará

A vida vem em ondas
Como um mar
Num indo e vindo infinito

Tudo que se vê não é
Igual ao que a gente
Viu há um segundo
Tudo muda o tempo todo
No mundo

Não adianta fugir
Nem mentir
Pra si mesmo agora
Há tanta vida lá fora
Aqui dentro sempre
Como uma onda no mar
Como uma onda no mar
Como uma onda no mar

14 de dez de 2009

Crime e castigo

"- De maneira geral, indivíduos com idéias novas, de algum modo capazes de dizerem algo de novo, nascem pouquíssimos, são de uma escassez verdadeiramente estranha. A única coisa certa é que a ordem de geração dos indivíduos de todas essas categorias e divisões deve estar fixamente marcada e definida por qualquer lei natural. Esta lei, claro, até agora nos é desconhecida; mas eu creio que existe e que, portanto, poderemos chegar a conhecê-la.

A enorme massa de indivíduos, a material, vem ao mundo apenas para, finalmente, por meio de algum esforço, em virtude de algum processo até agora ignorado e mercê de algum cruzamento de raças e de espécies, engendrar e trazer ao mundo, ainda que seja só na proporção de um por mil, um homem verdadeiramente independente. E, com uma independência superior, talvez só nasça neste mundo um indivíduo por cada dez mil (isto, por alto, naturalmente).

E, com uma independência ainda maior, só um por cada cem mil. Homens geniais surgem um entre milhões, e os grandes gênios, os fundadores da humanidade, talvez ao longo de muitos milhões de milhões de seres sobre a Terra. Em resumo: eu não pude ver a retorta em que tudo isto se prepara. Mas não há dúvida de que deve haver uma determinada lei; isso não pode ser obra do acaso."

Para assistir



Fonte: Revista Raça

11 de dez de 2009

Viviane Mosé

"Eu queria sair dizendo uma coisa
que não posso sair dizendo por aí.
Na verdade, é um segredo que eu guardo,
é uma revelação
que eu não posso sair dizendo por aí
Eu tenho medo que as pessoas desequilibrem de si
Que elas caiam delas mesmas quando eu disser...
Eu descobri que a palavra não sabe o que diz
A palavra delira
A palavra diz qualquer coisa.
A verdade é que a palavra, nela mesma, em si própria,
não diz nada.
Quem diz é o acordo estabelecido
entre quem fala e quem ouve
Quando existe acordo, existe comunicação
Quando esse acordo se quebra, ninguém diz mais nada, mesmo dizendo a mesma coisa

A palavra é uma roupa que a gente veste
Unas gostam de palavras curtas
Outros usam palavra em excesso
Existem os que jogam palavra fora
Outros as usam em desalinho,
cores brigando, substantivos em luta
Poucos ostentam palavras raras
Tem quem nunca troca
Tem quem usa a dos outros
A maioria não sabe o que veste
Alguns sabem (mas fingem que não)
E tem quem nunca usa a palavra certa para a ocasião
Tem os que se ajeitam bem com poucas peças
Outras se enrolam num vocabulário de muitas
Tem gente que estraga tudo que usa
Eu adoro usar a palavra limpa
E você, com quais palavras se despe?"

Viviane Mosé

8 de dez de 2009

CDD

"Existe uma explicação muito interessante para a ordem das classes principais do Sistema de Dewey:
O Homem começou a pensar e a procurar uma explicação para a sua existência, e assim surgiu a Filosofia;
Incapaz de desvendar o mistério imaginou a existência de um ser supremo que o havia criado, surge a Religião;
Multiplicando-se o homem passa a viver em sociedade e vem as Ciências Sociais;
Sente necessidade de se comunicar com os companheiros e cria as Línguas;
Passa então a investigar os segredos da natureza e temos as Ciências Puras;
De posse destes conhecimentos procura deles tirar proveito, aparecendo Ciências Aplicadas;
E, agora, já se sentindo capaz de criar, dá origem às Artes e a Literatura;
Finalmente encontramos a História que conta como tudo se passou."

1 de dez de 2009

SAMIZDAT

Liev Tolstói, também conhecido como Léon Tolstói ou Leão Tolstoi ou Leo Tolstoy, Lev Nikoláievich Tolstói (9 de setembro de 1828 - 20 de novembro de 1910) foi um escritor e ensaísta russo muito influente na literatura e política de seu país. Junto a Fiódor Dostoiévski, Tolstói foi um dos grandes da literatura russa do século XIX. Suas obras mais famosas são Guerra e Paz, sobre as campanhas de Napoleão na Rússia, e Anna Karenina, onde denuncia o ambiente hipócrita da época e realiza um dos retratos femininos mais profundos e sugestivos da Literatura. Membro da nobreza, entre 1852 e 1856 realizou três obras autobiográficas: Meninice, Adolescência e Juventude. Tolstói serviu no exército durante as guerras do Cáucaso e durante a Guerra da Criméia como tenente - cuja experiência transpôs para o romance Sebastopol (1856) em que expressa suas opiniões contrárias à guerra. Esta experiência converter-lhe-ia em pacifista. Associado à corrente realista, tentou refletir fielmente a sociedade em que vivia. Vítima de pneumonia, morreu miseravelmente numa estação ferroviária, em 1910. Fonte: Wikipédia

"Perfeição moral dos indivíduos - este é o significado e o objetivo da vida de todas as pessoas." Mas, pense , Lev Nikolaevich, é possível a um homem ocupar-se de aperfeiçoar moralmente seu caráter numa época em que outros homens e mulheres são fuzilados nas ruas? Gorki. In: Figes, Orlando. A tragédia de um povo. pág. 242.