20 de dez de 2009

Notas de "Caim"

"...Além disso, como já nesta época era sabido, a carne é supinamente fraca, e não tanto por sua culpa, pois o espírito, cujo dever, em princípio, seria levantar uma barreira contra todas as tentações, é sempre o primeiro a ceder, a içar a bandeira branca da rendição..." pág. 55

"A história dos homens é a história dos
seus desentendimentos com deus,
nem ele nos entende a nós,
nem nós o entendemos a ele."
pág. 88

"Não sabes a força que têm os anjos, com um só dedo levantariam uma montanha, o que me vale é serem tão disciplinados, não fosse isso e já teriam organizado um complô para me deporem, Como satã, disse caim, Sim, como satã, mas a este já lhe encontrei a maneira de o trazer contente, de vez em quando deixo-lhe uma vítima nas mãos para que se entretenha, e isso lhe basta." pág.153
By José Saramago
A página 79 do livro é extremamente curiosa, nela o autor, literalmente, solta o verbo! §*&$%+@#
Achei o livro caricato e pouco criativo, mas vale a pena a leitura.

18 de dez de 2009

Nada (.) Tudo (?)

Nada do que foi será
De novo do jeito que já foi um dia
Tudo passa
Tudo sempre passará

A vida vem em ondas
Como um mar
Num indo e vindo infinito

Tudo que se vê não é
Igual ao que a gente
Viu há um segundo
Tudo muda o tempo todo
No mundo

Não adianta fugir
Nem mentir
Pra si mesmo agora
Há tanta vida lá fora
Aqui dentro sempre
Como uma onda no mar
Como uma onda no mar
Como uma onda no mar

14 de dez de 2009

Crime e castigo

"- De maneira geral, indivíduos com idéias novas, de algum modo capazes de dizerem algo de novo, nascem pouquíssimos, são de uma escassez verdadeiramente estranha. A única coisa certa é que a ordem de geração dos indivíduos de todas essas categorias e divisões deve estar fixamente marcada e definida por qualquer lei natural. Esta lei, claro, até agora nos é desconhecida; mas eu creio que existe e que, portanto, poderemos chegar a conhecê-la.

A enorme massa de indivíduos, a material, vem ao mundo apenas para, finalmente, por meio de algum esforço, em virtude de algum processo até agora ignorado e mercê de algum cruzamento de raças e de espécies, engendrar e trazer ao mundo, ainda que seja só na proporção de um por mil, um homem verdadeiramente independente. E, com uma independência superior, talvez só nasça neste mundo um indivíduo por cada dez mil (isto, por alto, naturalmente).

E, com uma independência ainda maior, só um por cada cem mil. Homens geniais surgem um entre milhões, e os grandes gênios, os fundadores da humanidade, talvez ao longo de muitos milhões de milhões de seres sobre a Terra. Em resumo: eu não pude ver a retorta em que tudo isto se prepara. Mas não há dúvida de que deve haver uma determinada lei; isso não pode ser obra do acaso."

Para assistir



Fonte: Revista Raça

11 de dez de 2009

Viviane Mosé

"Eu queria sair dizendo uma coisa
que não posso sair dizendo por aí.
Na verdade, é um segredo que eu guardo,
é uma revelação
que eu não posso sair dizendo por aí
Eu tenho medo que as pessoas desequilibrem de si
Que elas caiam delas mesmas quando eu disser...
Eu descobri que a palavra não sabe o que diz
A palavra delira
A palavra diz qualquer coisa.
A verdade é que a palavra, nela mesma, em si própria,
não diz nada.
Quem diz é o acordo estabelecido
entre quem fala e quem ouve
Quando existe acordo, existe comunicação
Quando esse acordo se quebra, ninguém diz mais nada, mesmo dizendo a mesma coisa

A palavra é uma roupa que a gente veste
Unas gostam de palavras curtas
Outros usam palavra em excesso
Existem os que jogam palavra fora
Outros as usam em desalinho,
cores brigando, substantivos em luta
Poucos ostentam palavras raras
Tem quem nunca troca
Tem quem usa a dos outros
A maioria não sabe o que veste
Alguns sabem (mas fingem que não)
E tem quem nunca usa a palavra certa para a ocasião
Tem os que se ajeitam bem com poucas peças
Outras se enrolam num vocabulário de muitas
Tem gente que estraga tudo que usa
Eu adoro usar a palavra limpa
E você, com quais palavras se despe?"

Viviane Mosé

8 de dez de 2009

CDD

"Existe uma explicação muito interessante para a ordem das classes principais do Sistema de Dewey:
O Homem começou a pensar e a procurar uma explicação para a sua existência, e assim surgiu a Filosofia;
Incapaz de desvendar o mistério imaginou a existência de um ser supremo que o havia criado, surge a Religião;
Multiplicando-se o homem passa a viver em sociedade e vem as Ciências Sociais;
Sente necessidade de se comunicar com os companheiros e cria as Línguas;
Passa então a investigar os segredos da natureza e temos as Ciências Puras;
De posse destes conhecimentos procura deles tirar proveito, aparecendo Ciências Aplicadas;
E, agora, já se sentindo capaz de criar, dá origem às Artes e a Literatura;
Finalmente encontramos a História que conta como tudo se passou."

1 de dez de 2009

SAMIZDAT

Liev Tolstói, também conhecido como Léon Tolstói ou Leão Tolstoi ou Leo Tolstoy, Lev Nikoláievich Tolstói (9 de setembro de 1828 - 20 de novembro de 1910) foi um escritor e ensaísta russo muito influente na literatura e política de seu país. Junto a Fiódor Dostoiévski, Tolstói foi um dos grandes da literatura russa do século XIX. Suas obras mais famosas são Guerra e Paz, sobre as campanhas de Napoleão na Rússia, e Anna Karenina, onde denuncia o ambiente hipócrita da época e realiza um dos retratos femininos mais profundos e sugestivos da Literatura. Membro da nobreza, entre 1852 e 1856 realizou três obras autobiográficas: Meninice, Adolescência e Juventude. Tolstói serviu no exército durante as guerras do Cáucaso e durante a Guerra da Criméia como tenente - cuja experiência transpôs para o romance Sebastopol (1856) em que expressa suas opiniões contrárias à guerra. Esta experiência converter-lhe-ia em pacifista. Associado à corrente realista, tentou refletir fielmente a sociedade em que vivia. Vítima de pneumonia, morreu miseravelmente numa estação ferroviária, em 1910. Fonte: Wikipédia

"Perfeição moral dos indivíduos - este é o significado e o objetivo da vida de todas as pessoas." Mas, pense , Lev Nikolaevich, é possível a um homem ocupar-se de aperfeiçoar moralmente seu caráter numa época em que outros homens e mulheres são fuzilados nas ruas? Gorki. In: Figes, Orlando. A tragédia de um povo. pág. 242.

28 de nov de 2009

Palavras

Letras navegam
no meu dia a dia
no céu da minha boca
numa sinfonia.

Letras naufragam
e se misturam
viram palavras
e embriagam.

Letras, descem
do céu da minha boca
da minha cabeça
ou vem ao léu ??

Letras,
que formam palavras
que passam e vão
em vão????

Neste "vão" só Deus sabe!

L e T R a S

27 de nov de 2009

Cenas da vida na aldeia

Amós Oz
Os que herdam
"O estranho não lhe era estranho. Alguma coisa em sua aparência repeliu e ao mesmo tempo atraiu Arie Tselnik desde o primeiro olhar, se é que aquele era o primeiro olhar."
Os que cavam
O ex-deputado Pessach Kedem era um velho corcunda, alto, irascível e vingativo...tendinoso, nodoso, só não diz se era p r e c o n c e i t u o s o.
Amaldiçoava, xingava, insultava ... nunca perdoou, nada esqueceu. "Ele achava que agora, nestes nossos tempos, chegara uma época na qual todas as intenções dos homens são egoistas e até um tanto suspeitas. Já estavam longe os dias nos quais os homens, pelo menos alguns deles, pelo menos aqui ou acolá, ainda amavam e estimavam uns aos outros sem pensar em contas a ajustar. Nestes novos tempos, todos, sem exceção - assim o velho repetia vezes sem fim a sua filha -, todos vivem armando golpes. Hoje todo mundo só procura um meio de arrebatar algumas migalhas da mesa do próximo (...). Tudo hoje se faz calculada e intencionalmente, e na maioria das vezes é com intenção desprezível."
Os que são estranhos
"E a distância da comiseração ao amor é como a distância da lua à poça que a reflete."
"...a vida só tem sentido se é dedicada a algum ideal ou sentimento em torno dos quais tudo gira. Sem ideal ou sentimento a vida seria vazia e insossa, e ele não teria interesse em vivê-la."
Os que cantam ...

25 de nov de 2009

Street View

Viaje sem sair do navegador...
Clique no Google Maps e arraste o bonequinho amarelo até o local desejado.
Navegue sem precisar viajar...

23 de nov de 2009

O livro e a revolução I

Em março de 1872, um livro aterrissou na mesa do censor czarista: 674 páginas de densas análises estatísticas...."É possível afirmar com certeza que muito poucas pessoas na Rússia a lerão, e ainda menos a compreenderão " disse o primeiro censor. O segundo censor afirmou que as críticas no livro não se aplicavam a Rússia, onde a "exploração capitalista" tratada pelo livro nunca fora vivenciada.
Assim, O capital de Marx foi lançado na Rússia...a obra levou a Rússia a fazer a revolução russa mais cedo do que em qualquer outra sociedade ocidental a qual se dirigia.
Figes, Orlando. A tragédia de um povo. São Paulo: Record, 1999.

22 de nov de 2009

Lavoura arcaica

O filme apresenta uma contestação dos valores tradicionais através do personagem principal.
O personagem principal se afasta da família e ao retornar ocorre um choque entre os valores tradicionais e os valores modernos provocando uma ruptura da própria família, com o assassinato de um membro desta. A entrega ao desejo e à vida, à saude, à vontade, à libertação do próprio corpo, à sorte, resulta num 'sacrifício', no assassinato, na morte.

"- Toda ordem traz uma semente de desordem, e a clareza uma semente de obscuridade....
- É muito estranho o que estou ouvindo.
- Estranho é o mundo, pai, que só se une se desunindo. Erguido sobre acidentes, não há ordem que se sustente."
"O galho da direita era um desenvolvimento espontâneo do tronco, desde as raízes; já o da esquerda trazia o estigma de uma cicatriz, como se a mãe, que era por onde começava, fosse uma protuberância mórbida pela carga de afeto".

Tradição, paciência .... como virtude X Ruptura - impaciência, brevidade como obceno/suspeito.
Um filme que me fez lembrar, recordar minha tenra idade, um filme que me fez sentir o cheiro, as vontades, as angústias, os medos, trouxe flash back de lembranças que não deixam saudades.

11 de nov de 2009

Festa

A Folha na Festa
Cecília Meireles

Esta flor
Não é da floresta.

Esta flor é da festa
Esta é a flor da giesta.
É a festa da flor
E a flor está na festa.
(E esta folha?
Que folha é esta)
Esta folha não é da giesta.
Não é folha de flor.
Mas está na festa.
Na festa da flor
Na flor da giesta.


(Do livro "Ou Isto ou Aquilo")

Onde está a folha? Onde está a flor? Onde está a festa?
Onde estás? Onde estou? Quem eu sou?
Deixo o absurdo de certas conveções
Fico com o absurdo das minhas invenções. Nita

Cidades

"A cidade tentacular, a cidade labiríntica, pode ser percorrida em diferentes velocidades, e a partir de inúmeros pontos de vista. E a cada uma dessas velocidades e a cada um desses pontos de vista, se revelará uma cidade diferente. Uma coisa só será considerada real ou fantasiosa, verossímel ou inverossímel e, banal ou insólita, a partir da pressa e da altura em que a observemos."

Cidade verde de Magdeburgo. Alemanha



"De repente estou só. Dentro do parque, dentro do bairro, dentro da cidade, dentro do estado, dentro do país, dentro do continente, dentro do hemisfério, do planeta, do sistema solar, da galáxia - dentro do universo, eu estou só. De repente. Com a mesma intensidade estou em mim. Dentro de mim e ao mesmo tempo de outras coisas, numa sequência infinita." Citação ?

10 de nov de 2009

Internetês

Ñ posso fik nm
+ 1 min com vc
Sintu mt mô +
naum podi sê

Moru em
Jaçanãnnn
xi eú perdê essi
Trem ki sai
agora as 11hr
só amanhã di
manhã

Adoniran Barbosa

9 de nov de 2009

Sem título

Nasci e quando vagi, meu vagido não foi gravado
E tudo se perdeu no silêncio do firmamento
Foi o primeiro grito que dei, e não foi de alegria

Foi minha primeira dor, meu primeiro sofrimento.

8 de nov de 2009

Second Life na Bienal

O Fiteiro Cultural Second Life, da artista Fabiana de Barros, é uma novidade nas obras interativas na Bienal do Mercosul. Trata-se da Casa Milagrosa localizada na plataforma Second Life.
Há também panfletos ou santinhos da SANTA MILLA, com a seguinte oração:

"ORAÇÃO PARA MILLAGROSA VELLA
Santa das causas virtuais
Gloriosa Santa Milagrosa ilumina com sua Vella meus caminhos virtuais, minha memória e meus arquivos. Leva meus e-mails. Gloriosa mártir dos ataques de hackers, das interrupções de downloadas, dos bugs e dos crashs. Me protege dos vírus. Gloriosa mártir! Portadora da web, da internet e dos sites, intercedei por nós. Livrai-nos dos flagelos de filtros anti-spam, de senhas incorretas e da quebra de disco rígido. Gloriosa mártir! Nas viagens virtuais de terra, subterrâneo, mar e ar, livrai-nos da perdição e corrupção dos arquivos, Leve-nos ao Google, ao Second Life, ao Facebook, ao Myspace, ao Youtube...até o porto seguro da felicidade eterna. Imploramos por updates nos nosso computadores. Salve navegantes! Amém

Para que seu pedido aconteça faça copy/paste 3 vezes, e reze uma Ave Maria e um Pai Nosso.
CASA MILLAGROSA@SECOND LIFE
FITEIRO CULTURAL
Fabiana de Barros"

7 de nov de 2009

Lucidez

Se de um lado a Nita encontra homens ruins, do outro lado a Jorce encontra homens maus, e não venham falar num porvir em "homens de BOA vontade" que me ponho a rir!"

Imagem: Vladimir Kush

Crueldade e sofrimento

"A crueldade entre homens, indivíduos, grupos, etnias, religiões, raças é aterradora. O ser humano contém em si um ruído de monstros que liberta em todas as ocasiões favoráveis. O ódio desencadeia-se por um pequeno nada, por um esquecimento, pela sorte de outrem, por um favor que se julga perdido. O ódio abstracto por uma ideia ou uma religião transforma-se em ódio concreto por um indivíduo ou um grupo; o ódio demente desencadeia-se por um erro de percepção ou de interpretação. O egoísmo, o desprezo, a indiferença, a desatenção agravam por todo o lado e sem tréguas a crueldade do mundo humano. E no subsolo das sociedades civilizadas torturam-se animais para o matadouro ou a experimentação. Por saturação, o excesso de crueldade alimenta a indiferença e a desatenção, e de resto ninguém poderia suportar a vida se não conservasse em si um calo de indiferença". Edgar Morin, in 'Os Meus Demónios'

5 de nov de 2009

Uma traição inqualificável - Luis Buñuel

"(...)
Abri a janela.

O vento, grotesco, embateu contra as paredes e meteu o nariz por todo o lado. Onde causou verdadeiro terror foi no cesto dos papéis; descansavam tranquilos e, ao darem pela presença do monstro, assustados, endoidecidos, treparam uns por cima dos outros, fizeram remoinho e fugiram em todas as direções, açoitando-se no balde e debaixo do armário.
É que o vento é o gato dos papéis.
Francamente: fiquei mosca com tanta informalidade e tão pouco interesse em folhear a minha obra, pelo que o admoestei com severidade. Então, fingindo o maior cuidado, revistou milhares de cartas de papel, fazendo-as estralejar como um baralho de cartas; subitamente, lançou-as ao espaço, num ápice, todas de um só vez, através da janela estupefacta, que abria a boca de assombro, e saiu atrás delas.
Fiquei pasmado, insensível, desencadernado para sempre. Levara a minha obra! A minha mais definitava obra voava a caminho do horizonte, convertida em gaivota!"
(...)

Luis Buñuel

1 micro conto

Ela votou o melhor para todos
Todos voltaram-se contra ela
.

2 de nov de 2009

Livre

Quero fazer uns 2 versos
despertar minha poesia!
quero voltar ao começo
realidade?fantasia?nostalgia?

Quero escrever para os outros
quero escrever para mim
Quero rasgar-me nos versos
em tantos pedaços sem fim

Quero soluçar de prantos
e afogar-me em risos
E ao ler livrar-me de todos
Só. Presa aos meus LIVROs

1 de nov de 2009

Feriado

2 caminhos
uma direção
2 lógicas
uma razão
muitas vidas
um coração
2 destinos:
um feriadão.

Ponte Internacional Mauá Fronteira Brasil - Uruguai



Fotos tiradas da Internet

25 de out de 2009

23 de out de 2009

Cliq... Ícaro

A queda de Ícaro


Ícaro - Jazz Matisse

Quero viver a vida, dias felizes felizes, voando na direção do destino que eu quiser ... não qualquer .

Matisse/Jazz 1 dos livros ilustrados mais famosos do séc. XX.

18 de out de 2009

Ausência


"Um poeta escreveu: com a ferida vermelha o pássaro branco voa para o céu azul." João Paulo Lorenzon

15 de out de 2009

Nós

"Quando, velhos e tristes, na memória
Rebuscamos a triste e velha história
dos nossos pobres corações defuntos,

que estes versos, nas horas de saudade,
prolonguem numa doce eternidade
os poucos mêses que vivemos juntos

Eu não sei quem tu és. Sonhei-te linda
amei-te em sonho e vivo neste sonho.
Para encontrar-te numa das infindas
pus-me a caminho, pálido e tristonho

Tu não sabes quem sou. Sonhas-me ainda
a alma triste dos versos que componho.
E, suspirando pela minha vinda,
pulsa, em teu peito o coração risonho".

Autoria: Guilherme de Almeida.

11 de out de 2009

Funâmbulo

"Existem dois tipos de equilibrista, o aramista e o funâmbulo. O aramista é aquele equilibrista alegre, que anda sobre um fio em baixa altura, vem divertir o público, usa proteção e é esse que em geral vemos no circo. O outro amarra seu fio nas alturas, em lugares perigosos, nunca usa proteção, não vem divertir o público e é conhecido como o Funâmbulo.

6 de out de 2009

LEARN SOMETHING EVERY DAY

Importa é aprender, do absurdo ao banal, do impossível ao real...

Você sabia? que...
"Charlie Chaplin certa vez tirou terceiro lugar num concurso de sósias de Charlie Chaplin."

4 de out de 2009

Quase lá


Tá chegando,
tá quase chegando a hora ....
tudo que é bom, vem e vai no agora, sem demora.

"Nuvens brancas passam em brancas nuvens * Tudo claro, ainda não era dia, era apenas raio * Poema, o par que me parece * Sou legal eu sei, agora só falta convencer a lei. Sou real eu sei, agora só falta convencer o rei * Não fosse isso e era menos não fosse tanto e era quase * Kami Quase. Leminski "

3 de out de 2009

O grande ditador

"Todos nós desejamos ajudar uns aos outros. Os seres humanos são assim. Desejamos viver para a felicidade do próximo - não para o seu infortúnio. Por que havemos de odiar e desprezar uns aos outros? Neste mundo há espaço para todos. A terra, que é boa e rica, pode prover a todas as nossas necessidades.
O caminho da vida pode ser o da liberdade e da beleza, porém nos extraviamos. A cobiça envenenou a alma dos homens, levantou no mundo as muralhas do ódio e tem-nos feito marchar a passo de ganso para a miséria e os morticínios. Criamos a época da velocidade, mas nos sentimos enclausurados dentro dela. A máquina, que produz abundância, tem-nos deixado em penúria. Nossos conhecimentos fizeram-nos céticos; nossa inteligência, empedernidos e cruéis. Pensamos em demasia e sentimos bem pouco. Mais do que de máquinas, precisamos de humanidade. Mais do que de inteligência, precisamos de afeição e doçura. Sem essas virtudes, a vida será de violência e tudo será perdido...

2 de out de 2009

Bibliotecárias

Álvaro de Campos
Lisbon Revisited
(l923)
"NÃO: Não quero nada.
Já disse que não quero nada.

Não me venham com conclusões!
A única conclusão é morrer.

Não me tragam estéticas!
Não me falem em moral!

Tirem-me daqui a metafísica!
Não me apregoem sistemas completos, não me enfileirem conquistas
Das ciências (das ciências, Deus meu, das ciências!) —
Das ciências, das artes, da civilização moderna!

Que mal fiz eu aos deuses todos?

Se têm a verdade, guardem-na!

Sou um técnico, mas tenho técnica só dentro da técnica.
Fora disso sou doido, com todo o direito a sê-lo.
Com todo o direito a sê-lo, ouviram?

Não me macem, por amor de Deus!

Queriam-me casado, fútil, quotidiano e tributável?
Queriam-me o contrário disto, o contrário de qualquer coisa?
Se eu fosse outra pessoa, fazia-lhes, a todos, a vontade.
Assim, como sou, tenham paciência!
Vão para o diabo sem mim,
Ou deixem-me ir sozinho para o diabo!
Para que havemos de ir juntos?

Não me peguem no braço!
Não gosto que me peguem no braço. Quero ser sozinho.
Já disse que sou sozinho!
Ah, que maçada quererem que eu seja da companhia!

Ó céu azul — o mesmo da minha infância —
Eterna verdade vazia e perfeita!
Ó macio Tejo ancestral e mudo,
Pequena verdade onde o céu se reflete!
Ó mágoa revisitada, Lisboa de outrora de hoje!
Nada me dais, nada me tirais, nada sois que eu me sinta.

Deixem-me em paz! Não tardo, que eu nunca tardo...
E enquanto tarda o Abismo e o Silêncio quero estar sozinho!"

1 de out de 2009

Palavras afiadas

Pouco importa o tamanho da palavra,
se ela invade,
fere,
rasga,
mata!

Pouco importa o tamanho da afronta
na frente, no front,
confronto
desgosto!

É brutal
é fatal
a palavra dura
que se traduz,
desafinada
desafiando
bem afiada

Causando tristeza e dor
amargura, desalento,
lamento com dissabor

29 de set de 2009

Representatividade

Nem tudo é o que parece ser. As coisas são o que são.
***
Olho o mundo e vejo quase nada
olho fundo e vejo quase tudo
olho tudo e não consigo entender
a velha história.

28 de set de 2009

Concepções do trabalho

Aristóteles, vê no ócio a virtude
João Calvino, vê o trabalho como garantia da eterna salvação.
Karl Marx denuncia-o como exploração, alienação!
Santo Agostinho- vê preceito religioso no trabalho, e que este, evita vícios profundos.
Já para Hegel o trabalho é a mediação entre o homem e o mundo.

Para terminar estas breves linhas de minha imatura reflexão:
Hannah Arendt, com labor, trabalho e ação.

Labor - processo biológico
Trabalho - processo de criação através da arte
Ação - domínio da atividade, em que o instrumento é o discurso, a voz e a palavra.

25 de set de 2009

Se tudo deve continuar como está
então é necessário mudar,
pois mudando tudo que flui
nada permanecerá
pois tudo se diluirá

No fluxo constante do ser
cabe acontecer

24 de set de 2009

SHIBBOLETH

O sistema Shibboleth possibilita a autenticação do usuário, repassando ao sistema de destino os atributos necessários, sem que dados sensí­veis (login/senha, chave privada, etc.) transitem por este útimo. A forma como pronunciamos determinada palavra indica nossa procedência, Jefté (alguns anos antes de Cristo) usou a palavra shibboleth como senha, para identificar os "infiltrados". Vejam o porquê: "os efraimitas e os gileaditas falavam o mesmo idioma, porém havia entre os efraimitas o que hoje chamamos de dislalia (transtorno na articulação das palavras). As palavras que tinham som de “chi.” eram pronunciadas por eles, com o som de “si,” e, ao invés de falarem chi-bo-lé, eles pronunciavam, si-bo-lé, o que denunciava sua origem e os condenava." A história registra a morte de milhares de efraimitas.

19 de set de 2009

Au t o no mi a

Segundo contava Platão em seus diálogos (Livro II, de “A República”)

“Giges, o Lídio, era pastor a serviço do rei que naquela época governava a Lídia. Certo dia, durante uma violenta tempestade acompanhada de um terremoto, o solo fendeu-se e formou-se um precipício perto do lugar onde o seu rebanho pastava. Tomado de assombro, desceu ao fundo do abismo e, entre outras maravilhas que a lenda enumera, viu um cavalo de bronze oco, cheio de pequenas aberturas; debruçando-se para o interior, viu um cadáver que parecia maior do que o de um homem e que tinha na mão um anel de ouro, de que se apoderou; depois partiu sem levar mais nada. Com esse anel no dedo, foi assistir à assembléia habitual dos pastores, que se realizava todos os meses, para informar ao rei o estado dos seus rebanhos. Tendo ocupado o seu lugar no meio dos outros, virou sem querer o engaste do anel, para o interior da mão; imediatamente se tomou invisível aos seus vizinhos, que falaram dele como se não se encontrasse ali. Assustado, apalpou novamente o anel, virou o engaste para fora e tomou-se visível.Tendo-se apercebido disso, repetiu a experiência, para ver se o anel tinha realmente esse poder; reproduziu-se o mesmo prodígio: virando o engaste para dentro, tomava-se invisível; para fora, visível. Assim que teve a certeza, conseguiu juntar-se aos mensageiros que iriam ter com o rei. Chegando ao palácio, seduziu a rainha, conspirou com ela a morte do rei, matou-o e obteve assim o poder.”

É possível agir eticamente,
sem vigilância, punição ou controle?
Como você agiria?
Se encontrasse o anel de Giges,
O quê você faria ???

15 de set de 2009

Livros para devorar

A cozinha a nu: uma visão renovadora do mundo da gastronomia. Santi Santamaria. Ed. Senac.

Assando bolos em Kigali. Ed. Globo
Da Tanzânia para Ruanda, Angel para incrementar a renda familiar vende bolos intercalando descrição com observações amargas sobre Aids e disparidade econômica na África.

11 de set de 2009

Quase c a o s

Nada se ajusta sempre
Tudo se ajusta mais
Caos na ordem
Ordem no caos

O que é a verdade?
Qual o referencial?
'Amar o próximo como a mim mesmo'
tudo mais é banal

Tudo se volatizou
como poeira no ar
Importa somente
AGORA!
aprender a viver
re-aprender a amar.

9 de set de 2009

Duelo de titãs

"Neste canto, o livro.
No outro, a internet.
Se um dia a internet acabar,
você lerá isso num livro."
Ruy Castro.

O livro não se acabará assim como não se apagará a chama que pulsa em nós em cada folha de livro lido.

8 de set de 2009

Momentos

Não sou viciada no orkut
raramente acesso o face book
mas sou tentada a continuar
escrevendo nestas páginas virtuais

Quero deixar algo para a posteridade?
registrar minha longevidade................
Sei não, sei que, sei lá

Quando terminarão as postagens no meu blog
talvez com o fim do teu mundo
ou com meu último 'post'!

7 de set de 2009

Do amor e outros demônios

'Quanto mais transparente é uma escrita, mais se vê a poesia'. p.49
'Não há remédio que cure o que a felicidade não cura'. p.51
'Nenhum louco é louco para quem aceita as razões
dele'. p.55


Há mundo do outro lado do mar e
do outro lado do mundo, mar.J&N

'As ideias não são de ninguém (...) Andam voando por aí como os anjos'. p.82
'Ás vezes atribuimos ao demônio certas coisas que não entendemos, sem cuidar que podem ser coisas que não entendemos de Deus'.
'Nada é mais útil que uma dúvida em tempo'. p.123
'Sempre entendi tudo, menos a morte'. p.162

Gabriel Garcia Marquez, em Do amor e outros demônios.

5 de set de 2009

Acasos


"Meu corpo de manhã tem uma disposição diferente da do meu corpo à noite. Posso acordar o mais virtuoso dos homens e me deitar o mais vicioso”
Livro A invenção da liberdade, Jean Starobinski/Os acasos felizes do balanço, Jean-Honoré Fragonard

3 de set de 2009

Tempos líquidos

"Sem as utopias de outras épocas, os homens ainda viveriam em cavernas, miseráveis e nus. Foram os utopistas que traçaram as linhas da primeira cidade... Sonhos generosos geram realidades benéficas... A utopia é o princípio de todo progresso e o ensaio de um futuro melhor."

" O que dificilmente seria tema de discussão, contudo, é que 'muitos' adotarão a estratégia que é 'fácil para muitos', e portanto se tornarão 'parte dele', não mais confundidos por sua lógica bizarra nem irritados por suas exigências ubíquas, impertinentes e, em muitos casos, extravagantes. Também fora de dúvida é a expectativa de que os homens e mulheres que lutam para descobrir 'quem e o que não são inferno' precisarão encarar toda sorte de pressões para aceitar o que insistem em chamar de 'inferno' ".

Bauman, Zygmunt