31 de mai de 2009

Um livro de ninguém

Uma história inacabada
O sol já se punha no horizonte e tingia de um azul arroxeado toda os resquícios de claridade que teimassem em tentar perpetuar. Uma brisa leve soprava calmamente por um imenso campo florido varrendo as folhagens e espalhando um perfume suave no ar. Os sapos entoavam uma sinfonia em tal desordem que deixava inquieto todo ser vivente que estivesse antenado ao que acontecia ao seu redor. O vento prenunciava chuva, e não demorou muito, para que grossas gotas de água começassem a cair pausadamente, atingindo pouco a pouco um ritmo cada vez mais frenético até que enormes gotas passaram a cair pesadamente dançando sobre as ruas da pequena cidade do interior.
A rua estreita e mal calçada, serpenteada de casas pequenas e coloridas de ambos os lados terminava abruptamente em um casebre.
As portas e janelas estavam com a tinha desgastada, e a casa apresentava por fora, um aspecto sujo, obscuro e tenebroso.
Na janela encardida havia a silueta de uma jovem, aparentava ter pouco mais de 33 anos e estava com a testa encostada na vidraça suja, olhando tristemente a chuva que caía lá fora.
Na sua cabeça, passavam mil pensamento. Estava inquieta, um turbilhão de emoções a atormentavam.
Ergueu discretamente o olhar e viu crianças correndo na chuva, brincando de pega-pega. Faziam grande algazarra, corriam, se batiam, caiam nas poças de água que já começavam a se formar. Foi então que ouviu um som estranho vindo do outro lado da casa, da parte dos fundos.
A casa era somente de dois cômodos, uma cozinha ampla e um quartinho minúsculo. Uma única porta na frente, com duas janelas e no fundo havia mais uma janela e uma porta. O som que ouviu vinha da porta dos fundos, ligeiramente virou-se para averiguar e ficou sobressaltada!
Pelo vão da porta dos fundos, estarrecida viu que alguém acabara de colocar uma correspondência, ainda pode ver o envelope caindo, um pouco molhado da chuva e não obstante o som contínuo que fazia lá fora, pode ouvir o ruído de passos que corriam para longe da porta. Espiou pela janela mas viu somente um vulto branco que se precipitava na chuva entre as gotas que caíam e a noite que principiava a chegar. Sem entender o porquê de seu estado de nervos, abriu com mãos trêmulas o envelope parcialmente molhado. Era uma folha de ofício meio encardida dobrada em quatro partes e bem no centro escrito a lápis em letras garrafais e disformes, leu a seguinte mensagem:

Um livro que é de todos

A Bienal do Livro de São Paulo de 2008 realizou o projeto Livro de Todos (IMESP, 2008 ISBN 9788570606129) como parte da campanha publicitária da vigésima edição do evento: um livro colaborativo, a fim de contribuir para democratizar o livro e a literatura no Brasil.

O projeto consistiu em uma obra coletiva através da Internet em que o participante, após ler a história já escrita, pode continuar a escrevê-la dando o caminho que quiser. Com o primeiro capítulo de autoria do renomado escritor e membro da Academia Brasileira de Letras Moacyr Scliar, o livro foi publicado pela Imprensa Oficial do Estado de São Paulo, com 18 capítulos e foi lançado na 20ª Bienal do Livro de São Paulo, com capa ilustrada por Maurício de Sousa. A seleção dos textos dos internautas e a edição do livro coube ao jornalista Almyr Gajardoni, que teve de integrar os diferentes estilos de texto dos 173 autores numa obra única. O site do projeto recebeu 362 textos para o livro e foi acessado por 14.238 internautas.

Sinopse: O "Livro de Todos - Mistério do Texto Roubado" conta a história de Bruno, um adolescente fascinado pela leitura e pela arte de escrever. O conflito tem início no dia em que o jovem tem seu computador portátil roubado. No equipamento, estava o começo de um livro de autoria de Bruno. A partir daí, os internautas deram asas a imaginação e foram desenvolvendo o enredo com revelações surpreendentes, acontecimentos inesperados, mistérios e muita ação.

Fonte: Wikipédia

O livro na internet

Um programa de rádio sobre literatura
A publicação de artigos de áudio na internet
Uma meslca de entrevistas, notícias e trilhas sonoras
O laboratório de leitura!

http://laboratoriodeleitura.podomatic.com/

30 de mai de 2009

Sem título

Tudo me invade e perfura
às vezes amargura
Nada segura, seguro
eu mesma me perfuro
e asseguro

O corpo quebra
requebra
numa dança
frenética

que agride
transgride
fico estonteada
às vezes calada
com tanta informação
sedução que perdura,
mas fura,
mais fúria!
O velho ditado diz: "a sua liberdade termina onde começa a do outro", mas um outro afirma: "A sociedade é o que potencializa a liberdade individual e esta, longe de parar como diante de um marco, diante da liberdade de outrem, encontra aí sua confirmação e sua extensão ao infinito."
Fonte imagem :
www.capivari.sp.gov.br

Quem tem medo de ser diferente?

Se você, já foi chamado de louco, doente mental, ovelha negra, idiota, etc e tal. Não fique triste, você apenas é um pouco diferente dos demais. E daí, qual o problema em ser diferente???????"A alma dos diferentes é feita de uma luz além. Sua estrela tem moradas deslumbrantes que eles guardam para os poucos capazes de os sentir e entender.Nessas moradas estão tesouros da ternura humana dos quais só os diferentes são capazes. Não mexa com o amor de um diferente.A menos que você seja suficientemente forte para suportá-lo depois". Arthur da Távola

A Alma dos Diferentes
(Artur da Távola)

"... Ah, o diferente, esse ser especial!

Diferente não é quem pretenda ser.
Esse é um imitador do que ainda
não foi imitado, nunca um ser diferente.

Diferente é quem foi dotado
de alguns mais e de alguns menos em hora,
momento e lugar errados para os outros.
Que riem de inveja de não serem assim.
E de medo de não agüentar,
caso um dia venham, a ser.

O diferente é um ser
sempre mais próximo da perfeição.
O diferente nunca é um chato.
Mas é sempre confundido
por pessoas menos sensíveis e avisadas.
Supondo encontrar um chato
onde está um diferente,
talentos são rechaçados; vitórias, adiadas;
esperanças, mortas.

Um diferente medroso, este sim,
acaba transformando-se num chato.
Chato é um diferente que não vingou.

Os diferentes muito inteligentes
percebem porque os outros não os entendem.
Os diferentes raivosos acabam
tendo razão sozinhos, contra o mundo inteiro.
Diferente que se preza entende
o porque de quem o agride.

Se o diferente se mediocrizar,
mergulhará no complexo de inferioridade.
O diferente paga sempre o preço de estar
- mesmo sem querer - alterando algo,
ameaçando rebanhos, carneiros e pastores.

O diferente suporta e digere
a ira do irremediavelmente igual:
a inveja do comum; o ódio do mediano.
O verdadeiro diferente sabe que nunca
tem razão, mas que está sempre certo.

O diferente começa a sofrer cedo,
já no primário, onde os demais de mãos dadas,
e até mesmo alguns adultos por omissão,
se unem para transformar o que é
peculiaridade e potencial em aleijão e caricatura.

O que é percepção aguçada em:
"Puxa, fulano, como você é complicado".
O que é o embrião de um estilo próprio em :
"Você não está vendo como todo mundo faz? "

O diferente carrega desde cedo
apelidos e marcações os quais acaba incorporando.
Só os diferentes mais fortes
do que o mundo se transformaram
(e se transformam)
nos seus grandes modificadores.

Diferente é o que vê mais longe
do que o consenso.
O que sente antes mesmo
dos demais começarem a perceber.

Diferente é o que se emociona enquanto
todos em torno agridem e gargalham.
É o que engorda mais um pouco;
chora onde outros xingam;
estuda onde outros burram.
Quer onde outros cansam.
Espera de onde já não vem.
Sonha entre realistas.

Concretiza entre sonhadores.
Fala de leite em reunião de bêbados.
Cria onde o hábito rotiniza.
Sofre onde os outros ganham.

Diferente é o que fica
doendo onde a alegria impera.
Aceita empregos que ninguém supõe.
Perde horas em coisas
que só ele sabe ser importantes.
Engorda onde não deve.
Diz sempre na hora de calar.
Cala nas horas erradas.
Não desiste de lutar pela harmonia.
Fala de amor no meio da guerra.
Deixa o adversário fazer o gol,
porque gosta mais de jogar do que de ganhar.

Ele aprendeu a superar riso,
deboche, escárnio, e consciência dolorosa
de que a média é má porque é igual.
Os diferentes aí estão:
enfermos, paralíticos, machucados,
engordados, magros demais,
inteligentes em excesso, bons demais
para aquele cargo, excepcionais, narigudos,
barrigudos, joelhudos, de pé grande,
de roupas erradas, cheios de espinhas,
de mumunha, de malícia ou de baba.
Aí estão, doendo e doendo,
mas procurando ser, conseguindo ser,
sendo muito mais.

A alma dos diferentes
é feita de uma luz além.
Sua estrela tem moradas deslumbrantes
que eles guardam para os pouco capazes de
os sentir e entender.

Nessas moradas
estão tesouros da ternura humana.
De que só os diferentes são capazes.
Não mexa com o amor de um diferente.
A menos que você seja suficientemente
forte para suportá-lo depois."



27 de mai de 2009

Olho ou Live Traffic Feed

Confesso que até me assusto
Com a falta de privacidade
Mecanismos e mais mecanismos
Cheios de dinamismos e unicidade

Você me olha e eu te olho
Fitamo-nos uns aos outros
escrevendo e vendo escrever
Querendo saber...
Como nos decompomos.
Ou simplesmente tentando entender
o quê ou quem realmente somos!?

26 de mai de 2009

Greensleeves


Greensleeves
Alas my loue, ye do me wrong,
to cast me off discurteously:
And I haue loued you so long
Delighting in your companie.
Greensleeues was all my ioy,
Greensleeues was my delight:
Greensleeues was my heart of gold,
And who but Ladie Greensleeues.

25 de mai de 2009

Música e poesia no templo da morte

A revista Aplauso, apresenta interessante matéria sobre um "SARAU NOTURNO", ou um espetáculo de teatro realizado no cemitério da Santa Casa de Bagé.... APLAUSO: cultura em revista. v.11, no.99, jan. 2009. Porto Alegre: Plural Comunicação,1998-. ISSN 1518-5788

Incorporando personagens da literatura romântica envoltos em mistério
Conduzindo o público por vielas estreitas do cemitério
Unindo poesia, teatro, música, arte, história e temas de necrotério
Um grupo de estudantes vaga depois da meia-noite, eis seu ministério:

Declamar Eutanasia de Byron
Lembrar Hamlet e seu pai morto
Evocar Quintana de A imagem perdida
E ouvir ao fundo acordes de um som nobre
Meio sinistro, meio lúgubre
Som de Marcha Fúnebre

Leia mais em : http://www.aplauso.com.br/site/portal/default.asp

Como apagar recados do Orkut ou utilidade pública

Meu orkut apresenta recados, mas não aparece recado nenhum!
Se o seu orkut apresenta recados mas não aparece recado nenhum é porque os scraps cairam na caixinha de Spam!

Faça o seguinte: vá em "Spam" no canto esquerdo da tela, marque todos os scraps que estão lá e clique em NÃO É SPAM. Assim, esses scraps serão restaurados e você conseguirá apagá-los dentro do scrapbook.

Se você clicar que é spam vai apagar ali mesmo, mas continuará aparecendo o total de recados.
Então atenção: clique em "Não é Spam" antes de apagá-los na página de recados.

Fonte: http://br.answers.yahoo.com/question/index?qid=20080917055336AAPbbJ4

22 de mai de 2009

Fox para um dia qualquer ...

"A culpa é minha e eu a coloco em quem eu quiser"
"Por que coisas que só acontecem com idiotas, acontecem comigo?"
"Sair de casa para quê? De qualquer forma, vamos acabar voltando para casa" Osssssssssss Simpsons!

Os íiiiiiiiiiiidolos!
Não foi nada especial, chutei com o pé que estava mais à mão."

(João Pinto - jogador do Futebol do Porto de Portugal)

"Tenho o maior orgulho de jogar na terra onde Cristo nasceu..."
(Claudiomiro, ex-meia do Internacional ao chegar em Belém do Pará p/ disputar uma partida)

Outono

Antes de amar-te, amor, nada era meu
Vacilei pelas ruas e as coisas
Nada contava nem tinha nome
O mundo era do ar que esperava.
E conheci salões cinzentos,
Túneis habitados pela lua,
Hangares cruéis que se despediam,
Perguntas que insistiam na areia.
Tudo estava vazio, morto e mudo...
Caído, abandonado e decaído.
Tudo era inalienavelmente alheio,
Tudo era dos outros e de ninguém,
Até que tua beleza e tua pobreza
De dádivas encheram o outono.

-Pablo Neruda-

No meio da noite, sinistros

Era sexta-feira
Era dia de rir e de passear
Era dia de sair do lugar.
Eu contava os passos
passo aqui, passo acolá
cuidando para não tropeçar
Eu cuidava você prá encaixar nos meus passos
prá fechar os contratos, prá te dar uns abraços

Era sexta-feira
era dia de feira
o contrato faliu
e você nunca mais sorriu,
nem sentiu,
nem viu.

O contrato faliu!
no cair da noite
no meio da feira
na sexta-feira

18 de mai de 2009

Benedetti (1920 - 2009)




Villa Lobos


"Eu sou que nem gato, me enxotam no quintal eu volto pelo telhado. Esse é o truque. Eles não perceberam. Não é o povo! Não e Não! É preciso não trocar. Não confundir o povo. Povo! Não confundir... Nem com público, nem com massa...é importante. A massa é a massa. O público se enfeita todo e vai para as salas de concerto, com cara de quem está entendendo tudo. É preciso notar a diferença. A massa é horizontal, o público é vertical + o povo, pelo menos o povo brasileiro é DIAGONAL. É por isso que eu gosto do povo, e é por isso que a minha música é popular. Popular porque eu cuido muito mais do aspecto DIAGONAL do que horizontal ou vertical."

13 de mai de 2009

Que dor é esta ?

Que dor é esta que aperta?
que teima e não quer sair!

Saudade do que vivi,
e não pode mais existir?!

Porque insistir no passado
Se a vida só continua
Viver é bom, e ser amado
É o que o mundo cultua

Que dor esta? que deprime.
E não me deixa esquecer,
Saudade de ter você
Do que nunca vou viver

Porque não viver o presente?
Com riso ou choros, na boa!
Amar incondicionalmente
mesmo quando o amor destoa?

Que dor é esta que oprime?
E que um dia já foi ternura,
mas hoje persiste, insiste
Quer o Show do Sepultura!

12 de mai de 2009

Kafka

Não tenho meta,
mas tenho
forma
meta de forma

m e - t a
m o r
f o s e

+++
No dia 03 de julho nascia

no dia 03 de junho falecia
***

"Tudo o que não é literatura me aborrece" Franz Kafka

8 de mai de 2009

Semente

Quanto mais sofrimento
Não sei se mais humanidade
Talvez idealização

Quanto mais felicidade
Sei que mais realidade
Com projetos e planos de ação

Quanto mais se vive
+ e + se quer viver
Viver uma vida plena
que é a forma mais-
ssss vIvA de morrer.

7 de mai de 2009

Óca ôca

Nas noites ocas deitada na minha vida ...
afagos na escuridão, numa cegueira total.
A pele aveludada e macia, rumor silencioso e letal
será o último suspiro? Após a cravada fatal?
Tigres abraçam, garras de aço que amassam, e ser..pen...teiam com olhar molhado e frio. Voa num salto distante! Fica só o emaranhado... salpicado pela escuridão preenchendo o enclausurado vazio.

6 de mai de 2009

http://www.google.com.br/

Nem só de falta de sentido vive o homem,
mas de toda a informação que tem sentido.


Um site que calcula a data e o motivo da sua morte, além de mostrar os dias, horas e segundos que lhe restam.... Confira!

2 de mai de 2009

Augusto Boal

1931 - 2009

A última gargalhada

Amava e odiava seu uniforme
Sentia-se admirado e humilhado
Era feliz e triste à sua maneira
Estava no fim da sua carreira

Céu e inferno transpassavam seu caminho
Vida e morte, d e s-t i-n o, do seu destino
E os sentimentos nesta película mórbida e dramática
Expressam-se tristemente na Última gargalhada !

1 de mai de 2009

Possibilidades

Somos igualmente diferentes
cromos somos únicos
conectados em 6 bilhões !!!

Somos iguais na indi\vidualidade
a sociedade dos meus e teus descendentes
*** teoria matemática da coalescente ***

Me refino te defino, nos definhamos
nas nossas infinitas particularidades
formamos uma só raça na sociedade
plural singularidade na diversidade
com finitas p o s s i b i l i d a d e s...

"Não te dei, ó Adão, nem rosto, nem um lugar que te seja próprio, nem qualquer dom particular, pra que teu rosto, teu lugar e teus dons, os desejes, os conquistes e sejas tu mesmo a obtê-los. Existem na natureza outras espécies que obedecem as leis por mim estabelecidas. Mas tu, que não conheces qualquer limite, só mercê do teu arbítrio, em cujas mãos te coloquei, te defines a ti próprio."
Pico della Mirandola "Discurso sobre a dignidade do homem".

Simmmm grande Deus! me defino, me refino, me definho!