6 de jan de 2012

Conexão superficial


Amanhã viajarei para a Serra, para prestar mais um concurso, no entanto não estudei... Como estudar quando tenho dezenas, centenas de livros para ler? - Bem ao menos irei "curtir" a paisagem no decorrer da viagem, de forma bem 'real'.

 A nota foi um pouco mais que 7, os livros lidos foram 10.
Acabo de terminar a leitura do livro de Nicholas Carr, entitulado "A geração superficial: o que a internet está fazendo com os nossos cérebros." O autor apresenta-nos de maneira objetiva os efeitos da tecnologia na sociedade atual e em como estes efeitos alteram  os padrões de percepção da realidade, e os nossos pensamentos. O autor afirma que antes era um mergulhador no mar de palavras e agora, diz ele: "deslizo sobre a superfície como um sujeto com um jet ski."

"A mente linear, calma, focada, sem distrações, está sendo expulsa por um novo tipo de mente que quer e precisa tomar e compartilhar informação em surtos breves, desconexos, frequentemente superpostos - quanto mais rápido, melhor."

É bastante curiosa a explicação do autor sobre a estrutura do nosso cérebro; os neruônios, axônios, dendritos, sinapses, serotonina, dopamina, testosterona, estrógeno, etc. A plasticidade de nosso cérebro é incontestável, assim como as mudanças ocorridas através de pequenos treinamentos. "Tornamo-nos, neurologicamente, o que pensamos."

A sobrecarga de informação na internet nos chega à velocidade da luz. Atualmente temos contas de e-mails, RSS, blogs, redes sociais como Orkut, Facebook, twitter, links, softwares, programas, etc. Tudo piscando, nos chamando, nos convidando, nos 'atualizando'. São mensagens curtas, isoladas, resumidas, breves, assimo como nossas leituras. "Na net, há janelas dentro de janelas, para não mencionar as longas fileiras de abas preparadas para disparar a abertura de ainda mais janelas."

Enquanto isso "Os livros nas prateleiras nos esperam" silenciosamente, calmamente, empilhados, alguns até empoeirados, esperando que nos apoderemos deles e que os libertemos em um instante das estantes, a fim de alcançarmos a liberdade através da leitura linear, calma, silenciosa, reflexiva, imaginativa, criativa. Sentados confortavelmente em alguma parte de algum lugar, pois, como colocou Sêneca, 2 mil anos atrás: "Estar em toda parte é não estar em parte alguma."

Enquanto escrevia este texto, bits e bytes me desconcentravam, mas confesso não consigo viver totalmente desconectada. E você?

Acabo de encontrar esta preciosidade na web, é claro. Confira - Por Professor Valdemar W. Setzer.

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