13 de mar de 2009

Poemas de Bastos Tigre - Patrono dos Bibliotecários

Lendo os poemas de Bastos Tigre, a Nita fica extasiada, deslumbrada e a Jorce um pouco acabrunhada, por saber que precisa ter 'medida', decência, prudência. Ambas não conseguem decidir com sabedoria, qual melhor poesia?! Para decidir tão banal caso, optaram por postar ao ...acaso.

Amor gramatical


Amor é verbo regular às vezes;
(Depende da pessoa e do momento)
Quase sempre aparece o complemento
Ao fim de um certo número de meses.

Tenho sofrido bárbaros reveses
Sempre que em regra conjugá-lo tento
E até lancei ao negro esquecimento
Os meus velhos compêndios portugueses

Amar!... verbo de encher... a alma da gente!
Conjugável de modo assas variado.
E em pessoas e tempos igualmente.

Sabes? é um verbo que eu adoro e evito;
Mas quem me dera tê-lo conjugado
Por nós dois no presente do infinito!...


Canção da saudade

Saudade , palavra doce,
Que traduz tanto amargor.
Saudade é como se fosse
Espinho cheirando a flor.


Interrogações

O porquê da existência, o "como"? E "de onde"?
Surgem na mente humana a cada passo.
Quem a pergunta ansiosa nos responde?
Quem, da verdade, nos eboça o traço?

Por mais que se investigue, estude, sonde
O aquém e o além, é o humano gênio escasso;
E o segredo mirífico se esconde
No tempo eterno e no infinito espaço.

De onde provimos e para onde vamos?
Talvez um dia tudo isto saibamos,
Dos mistérios do ser e do não-ser.

Mas, ai de nós! Senhores da Certeza,
Sem a ilusão, a dúvida, a surpresa,
Onde encontrar o encanto de viver?

Ser e não ser

O tempo passa em corrida:
Um dia, outro dia após...
-Passamos nós pela vida,
Ou passa a vida por nós?

Buscamos o mesmo norte:
O termo a que tudo vai.
-Seguimos nós para a morte,
Ou a morte é que nos atrai?

-É após a vida acabada
Que se começa a viver?
Se o ser se reduz a nada
O eterno ser é o não-ser?

Um filósofo do ofício
Respondendo ao que pergunto
Foi dar com os ossos no Hospício
Vamo nós mudar de assunto?

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