25 de nov de 2008

Contos russos - os clássicos (sinos russos)

"Um funcionário encarou o outro fixamente. No olhar de cada um brilhou uma centelha má...."

Belo conto sobre dois funcionários públicos que por serem estúpidos se viram transportados para uma ilha deserta, como por um tapete mágico. Ao procurar explorar a ilha, não sabiam definir onde ficava o leste e onde ficava o oeste, onde era o norte e onde ficava o sul. Ao sentirem fome, não sabiam colher os frutos, nem conseguiam preparar os alimentos, porque estes na forma original voavam, nadavam ou cresciam no alto das árvores. O que os funcionários públicos sabiam? háááá conheciam perfeitamente as seguintes palavras: "Com os protestos da mais alta estima e consideração, sou, de V. Exa., humilde servo." Após uma terrível briga em que tentaram comer um ao outro, à vista do sangue fê-los recuperarem a razão. Decidiram pois, entreterem-se mutuamente para passar o tempo, evitando assim assassínios e morte.
E passaram a discutir questões como: Porque o sol se ergue e depois se põe e não o contrário? Porque primeiro trabalhamos, depois voltamos para casa e por último dormimos? Após intermináveis discussões que sempre terminavam lembrando-lhes comida, decidiram arranjar um mujique. Mesmo em uma ilha, sempre há algum mujique que escapou em algum momento do trabalho. Encontraram o tal mujique amarraram-no em uma árvore para que não fugisse e não tiveram mais problemas. Não gastavam dinheiro, estavam gordos, bem alimentados e felizes. Após muito tempo, ficaram aborrecidos e importunaram o mujique para que este construísse um barco capaz de transportá-los novamente à sua terra... e o que será que aconteceu????

Schedrin, Nikolai. Um mujique alimenta dois funcionários públicos.
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Não sei se a maioria de vocês sabem, mas moro em um apartamento muito pequeno, cabe eu, minha cama, meu ropeiro, alguns poucos móveis na cozinha e meu note book, que preenche meu mundo com amigos presentes do passado e, é claro, todas as dualidades do meu SER, mudando todo o tempo, amando, sofrendo, sorrindo, chorando, e até rezando. Pois nesta noite, recebi multidões de russos. Russos empoeirados que vinham das ruas sujas de São Petersburgo, russos titiritando de frio que desembarcavam de carroças, recebi velhos e moços, crianças, mulheres, cocheiros, mujiques, funcionários públicos e até vultos fantasmagóricos!!! Por vários momentos meu espírito esteve contraído por espreitar a maldade presente nos sorrisos de afeto, nos gritos do "Sabe com quem está falando? Na falta de compaixão. Um fantasma porém procura a justiça, procura o direito, procura...procura...procura... São quase 6 horas da manhã, as multidões estão indo embora. Ficam os resquícios das histórias que povoaram a noite e encheram o Ap. Em breve nascerá mais um novo dia, os pássaros já estão começando a cantar. Está na hora de dormir. É bom dormir durante o dia, os desejos e esperanças vão embora e os sonhos, no meio de tanto dia ficam sem espaços e começam a rarear.
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Akaki Akakiévitch
-Deixem-me! Não vêem que me estão magoando?
Nessas penetrantes palavras ressoava mesmo o eco destas outras:
"Eu sou teu irmão!"

"O infortunado jovem cobria então o rosto, e mais de uma vez, durante sua existência, haveria de estremecer ao ver o quanto o homem carece de humanidade, ao constatar o quão grosseira é a ferocidade que se encapa sob as maneiras mais polidas - ó meu Deus! - naqueles que o mundo considera pessoas honestas e de bem..." p.53

Não é possível escrutar a alma humana em todos os seus refolhos e advinhar tudo o que se lhe vai no íntimo. p.64

"Onde aquiriu essa arrogância? Sabe com quem está falando? Compreende na presença de quem se acha?"

Oras, oras, oras....esta é apenas uma obra de ficção, qualquer semelhança com a realidade é mera coincidência.

"Todos nós descendemos de 'o capote'. Dostoiévski


Gogol, Nikolai. O capote
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Leia o conto na íntegra :
http://www.ufrgs.br/proin/versao_2/capote/index.html
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"...Durante muitos anos estivemos perto dele e não o conhecemos direito, mas um instante só foi suficiente para vermos tudo claro: nós o tomamos por um tolo, mas ele bem poderia ser um justo."
Leskov, Nikolai. Um tolo

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'Contos russos : os clássicos', uma semana depois de ter em minhas mãos o livro, dois dias depois de ter passado uma noite russa, procuro e encontro este acesso, esta disponibilidade, este link:
http://books.google.com.br/books?id=-wuixXSSOwYC&pg=PA130&lpg=PA130&dq=dois+pequenos+mujiques++nikolai+schedrin&source=bl&ots=jeZuReGlJD&sig=p8PpNovG3eNUQMmYpaSEG85r-eA&hl=pt-BR&sa=X&oi=book_result&resnum=1&ct=result#PPA5,M1

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